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    Depressão e cerveja: hábito de beber pode piorar o estado da doença?

    Depressão
    Sintomas

    Por Dra. Ana Claudia Ducati Dabronzo

    17 de agosto de 2017

    Por mais que a depressão se manifeste principalmente em função da herança genética, fatores externos também influenciam no desenvolvimento do quadro. O consumo de álcool é um exemplo. Mais especificamente, a ingestão excessiva de bebidas, como a cerveja, que contenham esta substância pode piorar a intensidade dos sintomas do transtorno.  
    “A ingestão intensa de álcool ao longo de vários dias resulta em muitos dos sintomas observados no quadro depressivo. O que evidencia isso é que no  prazo de até um mês de abstinência há possibilidade de melhora acentuada. Mesmo depressões graves induzidas por uso de álcool têm chances de uma melhora significativamente rápida apenas com abstinência”, explica a psiquiatra Ana Cláudia Ducati.

    Diferentes relações entre excesso de álcool e depressão


    Conforme informa a médica, acredita-se que cerca de 30 a 40% das pessoas com transtorno relacionado ao uso de álcool (dependência ou abuso) satisfazem critérios para depressão. Destes, entre 10 e 15% apresentam sintomas depressivos sem um consumo intenso de álcool. “Considerando tais dados, podemos verificar que o uso contínuo de álcool, mesmo que moderado, aumenta a chance de uma pessoa desenvolver um quadro depressivo”.

    Se por um lado o abuso de álcool colabora para a piora da depressão, por outro o contrário não ocorre necessariamente. Por mais que possa parecer surpreendente, estudos apontam que o estado depressivo não leva a uma maior ingestão de bebidas alcoólicas. Isso pode até acontecer, mas não é uma tendência, muito menos regra.    

    Influência dos hábitos de vida para um quadro depressivo


    Os hábitos adotados influenciam nos quadros depressivos pois se associam a uma pior ou melhor qualidade de vida. Além do consumo excessivo de álcool, dietas pobres, cigarro e ausência de atividade física podem contribuir negativamente nesse contexto. “Evitar uso/abuso de substâncias que causam dependência está indicado para pessoas com depressão, assim como praticar exercício físico e ter hábitos alimentares saudáveis”.

     

    Quando pensar em depressão?

     

    Tristeza não é sinônimo de depressão. O episódio depressivo se caracteriza pela presença, por pelo menos 2 semanas consecutivas, de 5 das 9 manifestações a seguir, ocorrendo na maior parte do dia, quase todos os dias; obrigatoriamente uma das manifestações deve ser humor deprimido ou perda do prazer em atividades:

    – Humor deprimido: sentir-se triste, sem esperança; isso pode ser percebido por outras pessoas;

    – Diminuição ou perda do prazer em atividades: menor interesse em passatempos ou em atividades que anteriormente o indivíduo considerava prazerosas; o individuo muitas vezes fica mais retraído socialmente;

    – Inquietação ou estar mais lento que seu habitual, e isso é percebido por outras pessoas;

    – Alteração de apetite e/ou de peso: pode ser para mais ou para menos, ou seja, pode ocorrer (de forma não intencional) aumento de apetite, aumento de peso, redução de peso, redução de apetite (exemplo: o indivíduo precisa se esforçar para se alimentar);

    – Alteração do sono: excesso de sono ou insônia;

    – Fadiga ou falta de energia: cansaço mesmo sem esforço físico pode ser relatado pelo indivíduo, bem como dificuldade em realizar tarefas;

    – Sentimentos de inutilidade ou de culpa excessiva ou inapropriada: o indivíduo pode, por exemplo, ficar ruminando pequenos fracassos do passado;

    – Dificuldade de se concentrar ou de pensar: os indivíduos podem se queixar de dificuldades de memória;

    – Pensamentos de morte ou planejamento para cometer suicídio.

    Tais alterações representam mudança em relação ao funcionamento anterior do indivíduo, e causam sofrimento e/ou prejuízos no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

    Lembre-se: depressão não é só no setembro amarelo! Se você sentir que está diferente do seu habitual ou notar diferença em alguém com quem convive, procure ou oriente a procura de ajuda médica e psicológica!

    Este material tem caráter meramente informativo e não tem a intenção de substituir avaliação ou conduta médica. Siga sempre as orientações de seu médico assistente.

     

    Dra. Ana Claudia Ducati Dabronzo é psiquiatra geral e da infância e adolescência, formada pela Universidade de São Paulo (USP). CRM: 150.562
    Foto: Shutterstock

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