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    A Vitamina D e sua relação com o sistema imunológico

    Cuidados e Bem-estar
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    Por Dr. Sergio Setsuo Maeda

    3 de junho de 2020

    A vitamina D apesar do nome vitamina é na verdade um hormônio.

    Na dieta, que pode ser adquirida de fontes alimentares, por exemplo, em cogumelos, óleo de fígado de bacalhau e peixes gordurosos (salmão, atum, cavala), tem uma contribuição pequena para as necessidades humanas de vitamina D, sendo então a principal fonte, a formação que acontece na pele, através dos raios ultra-violeta do tipo B.

    Mesmo em um país ensolarado como o Brasil, há muitas pessoas com baixa vitamina D principalmente por falta do hábito e oportunidades de tomar sol e diversos fatores ainda interferem como: pigmentação da pele, hábitos de exposição, latitude, estação do ano e barreiras como protetores solares e vidros; além do fato que a eficiência da síntese de vitamina D diminui com o avanço da idade (1).

    A recomendação atual é não mais que 10 a 15 minutos de exposição aos braços, pernas, abdômen e costas, duas a três vezes por semana, seguidos por uma boa proteção solar. Pessoas com a pele mais clara devem tomar menos tempo enquanto peles de tom mais escurecido podem um tempo maior. O que deve ser evitado é a vermelhidão da pele, pois isto já é sinal de lesão pelos raios solares. O rosto sempre deve ser protegido.

    E mesmo com tantas informações disponíveis ainda surgem muitas dúvidas sobre a melhor forma de repor e a importância da Vitamina D, por isso uma orientação médica é muito importante.

    Trouxemos abaixo uma entrevista exclusiva com o Dr. Sergio Setsuo Maeda, Médico Assistente Doutor da Disciplina de Endocrinologia da UNIFESP, que responde as principais dúvidas dos pacientes em relação a Vitamina D.

    1) Dr., como saber se tenho deficiência e preciso repor?

    Recomenda-se a avaliação laboratorial em indivíduos com risco para a hipovitaminose D ou naqueles para cuja situação clínica seja relevante.

    Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), as principais indicações baseadas em dados de história clínica, exame físico e exames complementares para a solicitação do nível sérico de 25 hidroxivitamina D são: idosos, indivíduos com restrição de exposição solar, gestantes, osteoporose, quedas frequentes e fraturas, doenças osteometabólicas e inflamatórias, doença renal crônica, pacientes pós-bariátricos e portadores de síndromes de má-absorção e usuários de medicações que interfiram no metabolismo da vitamina D (glicocorticoides, anticonvulsivantes, antirretrovirais, entre outras) (2).

     

     2) Todo mundo precisa fazer exame antes de começar a tomar Vitamina D?

    Pelo custo e pensando em políticas de saúde pública e ainda mais no atual cenário de isolamento social, as doses de manutenção são recomendadas para aqueles que não conseguem fazer exposição solar suficiente e principalmente nos indivíduos de risco como idosos, pessoas com osteoporose, quedas e fraturas.

    As doses de manutenção (até 2.000 UI/d nos pacientes de risco) são seguras e podem ser praticadas sem necessidade de medir a vitamina D e ajudam a prevenir a deficiência grave da vitamina D (1,2).

     

    3) Quais as doses diárias recomendadas em adultos e crianças?

    A reposição de vitamina D pode ser feita através de gotas, cápsulas e comprimidos. As doses de manutenção em adultos são entre 800-1.000 UI por dia, enquanto nas crianças entre 400 a 600 UI por dia. Nos indivíduos de risco (idosos, pessoas com osteoporose, quedas, fraturas) a dose pode chegar a 2.000 UI por dia. Estas doses podem ser praticadas de maneira segura, sem necessidade de medir a vitamina D e não há risco de intoxicação (1).

     

    4) Nessa fase de isolamento social, como tomar Vitamina D?

    Se for possível tomar sol na varanda é uma boa estratégia, respeitando o seu tipo de pele e o tempo de exposição. Lembrar que para formar a vitamina D, isto deve ser feito sem o protetor solar, respeitando o tempo e evitando a vermelhidão da pele.

     

    5) Tomar sol por meio de vidros ou com protetor solar também auxilia na absorção de Vitamina D ou somente direto na pele?

    Barreiras como vidro e protetor solar bloqueiam a formação da vitamina D na pele. A questão é expor a pele de maneira segura. O rosto, orelhas e pescoço sempre devem ser protegidos com bloqueador solar. Pode-se expor braços e pernas de acordo com o tom de pele. Peles mais claras cerca de 5-7 minutos e peles mais escuras 10-15 minutos três vezes por semana. Deve-se evitar a vermelhidão da pele pois isto já indica lesão da radiação solar. E depois sempre aplicar o protetor.

     

    6) Fora banho de sol, o que mais pode auxiliar na absorção de Vitamina D?

    A exposição ao sol é a principal fonte de vitamina D, já que a dieta tem pouca quantidade. Na impossibilidade de conseguir por vias naturais, faz-se necessário suplementar através de gotas, cápsulas ou comprimidos.

     

    7) O que causa a falta de vitamina D e quais os sintomas comuns?

    A pouca exposição solar que acontece no ritmo de vida moderna nas grandes cidades e por conta de questões de segurança e o trabalho em ambientes fechados justifica a grande quantidade de pessoas com baixa vitamina D. Há situações específicas como doenças com mal-absorção intestinal ou medicamentos usados para emagrecer que levam à perda de vitamina D. Nos quadros leves de hipovitaminose D, em geral não há sintomas. Nos quadros graves, que são raros, pode haver dor óssea, fraturas e fraqueza muscular. A vitamina D é avaliada no exame chamado 25 hidroxivitamina D, que é a molécula de estoque no nosso corpo.

     

    8) Por que tem se falado tanto da Vitamina D?

    A vitamina D tem importantes ações ósteo-musculares; promovendo a maior absorção de cálcio no intestino, modulando a secreção de PTH (paratormônio) e promovendo a melhor função muscular (1). No tratamento da osteoporose, a adequação de cálcio e vitamina D é fundamental para que as medicações anti-osteoporose possam ter sua melhor eficácia (3).

    As ações não-ósseas da vitamina D são muito pesquisadas hoje, e sabe-se de uma grande e importante revisão científica que aponta para benefícios na sobrevida em pacientes com câncer, desempenho muscular, risco de infecção respiratória e exacerbação da asma quando pacientes deficientes são tratados com normalização dos níveis de vitamina D (4).

     

    9) O excesso de Vitamina D também pode ser prejudicial à saúde?

    A Hipervitaminose D leva a risco de aumento das concentrações de cálcio no sangue que podem se manifestar por aumento da sede e diurese, desidratação, mal estar, náusea, confusão mental e até coma. O rim é um dos órgãos que mais sofre com a hipercalcemia, podendo levar a formação de pedras (litíase) ou evoluir com perda da função (insuficiência renal). (2)

     

    10) A depressão na quarentena pode ter relação com a vitamina D baixa?

    Até o momento os estudos que avaliaram este parâmetro não mostraram benefício do seu uso nesta situação.

     

    11) Mesmo após seguir as indicações de banho de sol e reposição por meio de medicamentos, minha Vitamina D continua baixa, é necessário buscar nova avaliação?

    Realmente é necessária uma investigação. Idealmente um endocrinologista, mas um bom clínico poderia ajudar.

     

    12) Quais seriam os valores de referência recomendados?

    Baseado em dados da literatura médica, o novo posicionamento em relação aos valores ideais da 25 hidroxivitamina D para a população varia de acordo com a idade e as características clínicas individuais, sendo acima de 20 ng/mL é o valor desejável para população saudável (até 60 anos) e entre 30 e 60 ng/mL é o valor recomendado para os grupos de risco anteriormente citados (2).

     

    Referências Bibliográficas:

    1. Maeda SS, Borba VZC, Camargo MBR, Silva DMW, Bandeira F, Lazaretti Castro M. Recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D. Arq Bras Endocrinol Metab 2014;58(5):421-43.
    2. Ferreira CES; Maeda SS; Batista MC; Lazaretti-Castro M; Vasconcellos LS; Madeira M; Soares LM; Borba VZC; Moreira CA. Consensus – reference ranges of vitamin D [25(OH)D] from the Brazilian medical societies. Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC/ML) and Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). J Bras Patol Med Lab 2017;53(6):377-381.
    3. Adami S, Giannini S, Bianchi G, Sinigaglia L, Di Munno O, Fiore CE, Minisola S, Rossini M. Vitamin D status and response to treatment in post-menopausal osteoporosis. Osteoporos Int. 2009 Feb;20(2):239-44.
    4. Autier P, Mullie P, Macacu A, Dragomir M, Boniol M, Coppens K, Pizot C, Boniol M. Effect of vitamin D supplementation on non-skeletal disorders: a systematic review of meta-analyses and randomised trials. Lancet Diabetes Endocrinol. 2017 Dec;5(12):986-1004.
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