Relação entre obesidade e maior mortalidade por coronavírus

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A obesidade é uma grande epidemia mundial e afeta pessoas de todas as idades e de todos os grupos sociais nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, atingindo 650 milhões em todo o mundo. Só no Brasil, de acordo com dados da pesquisa do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico) publicada em 2019, mais da metade da população tem sobrepeso e obesidade, atingindo um a cada cinco brasileiros.

Segundo o Ministério da Saúde, a obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento, ao longo da vida, de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares. Já se sabe que ser portador destas patologias traz maior suscetibilidade de risco de mortalidade pelo novo coronavírus. Isso significa dizer que a infecção por COVID-19 apresentou, nestes pacientes, um desdobramento mais rápido e mais grave para a síndrome do desconforto respiratório agudo, insuficiência respiratória aguda e outras complicações.

Ademais, por meio de estudos, descobriu-se que além da idade avançada e das condições crônicas de saúde, a obesidade tem sido um fator de risco para a piora do quadro clínico. Tanto que, em um estudo com quase 17 mil pacientes hospitalares infectados, no Reino Unido, aqueles que eram obesos – com um índice de massa corporal (IMC)* superior a 30 – tiveram um risco 33% maior de morrer do que aqueles que não eram obesos. Um outro estudo, realizado na China, analisou 112 pacientes com sobrepeso e obesidade e identificou uma prevalência de óbito cinco vezes maior nestas pessoas, em comparação com os pacientes que sobreviveram.

Entretanto, quando a pandemia atingiu o Hospital Johns Hopkins no final de março de 2020, pacientes mais jovens começaram a ser admitidos nas UTIs. Com isso, observou-se uma tendência de maior mortalidade de pessoas jovens com um índice de massa corporal (IMC) considerado acima do saudável, mesmo sem serem portadoras de outras doenças crônicas.

Deste modo, a obesidade de forma independente tem sido considerada um forte preditor para alta mortalidade, mesmo em pessoas abaixo de 60 anos. Não sabemos exatamente qual é o papel da obesidade na gravidade dos sintomas da COVID-19. Contudo, é provável que os mecanismos sejam multifacetados, principalmente porque a própria obesidade é o resultado de uma interação complexa entre fatores genéticos, hormonais, comportamentais, sociais e ambientais.

A obesidade pode ter um impacto significativo na função pulmonar, visto que o excesso de peso ao redor do abdômen pode comprimir o tórax, dificultando a movimentação do diafragma e a expansão dos pulmões e, consequentemente, a entrada de ar. Isso pode contribuir para níveis mais baixos de oxigênio no sangue, o que pode exacerbar os sintomas do coronavírus. Além disso, a obesidade é uma doença que resulta em um estado crônico de inflamação. Portanto, é provável que este aspecto prejudique a resposta imune do organismo, fato que poderia potencialmente tornar mais difícil para o organismo combater o coronavírus.

Como é possível notar, os desafios no atendimento a pacientes com obesidade grave são relevantes. Por exemplo, é mais difícil intubar ou realizar imagens como raios X e tomografias computadorizadas em pacientes obesos.

Medidas de cuidado e prevenção

 

Longe de estigmatizar pessoas que sofrem com um problema tão complexo como se configura o excesso de peso, deixamos aqui um alerta para que possam redobrar a atenção de prevenção ao novo coronavírus e repensarem hábitos praticados. Mais uma vez, o cuidado com a alimentação adequada e saudável se faz necessário. Evitar alimentos ultraprocessados e açúcares já é um bom começo e auxilia tanto a prevenir a hipertensão, diabetes e obesidade, quanto a atenuar os casos já existentes.

Apesar das limitações de espaço, também é tempo de improvisar e colocar a criatividade em ação para que seu corpo não fique parado. Invista em atividades que podem ser feitas no dia a dia, como subir escadas e realizar tarefas domésticas. Evite também o comportamento sedentário, principalmente durante o período de home office ou o excesso na frente da televisão. Busque levantar com frequência e realizar alongamentos ao longo do dia.

Assim como ocorre com os idosos, caso você tenha obesidade, redobre os cuidados de higiene. 

 

*O critério utilizado para avaliar e classificar o estado nutricional de uma pessoa é o índice de massa corporal (IMC), de acordo com as recomendações da OMS. Esse índice é estimado entre a relação peso e altura. Sendo assim, a fórmula para o cálculo do IMC é: peso (em kg) dividido pela altura² (em metros).

Ainda dentro desses parâmetros, uma pessoa é classificada com excesso de peso quando o IMC é igual ou superior a 25 kg/m² e classificada com obesidade quando o IMC é igual ou superior a 30 kg/m². 

 

Referências Bibliográficas:

Azizi, G. G., Orsini, M., Júnior, S. D. D., & de Albuquerque Cerbino, S. (2020). Obesity and exercise immunology: implication in times of COVID-19 pandemic. Revista Brasileira de Fisiologia do Exercício19(2), 35-39.

Ministério da Saúde. Por que a obesidade é um fator de risco para pessoas com Coronavírus? Acessado em 24.05. Disponível em: https://saudebrasil.saude.gov.br/ter-peso-saudavel/por-que-a-obesidade-e-um-fator-de-risco-para-pessoas-com-coronavirus

Docherty AB, Harrison EM, Green CA, et al. Features of 16,749 hospitalised UK patients with COVID-19 using the ISARIC WHO Clinical Characterisation Protocol. medRxiv; 2020. DOI: 10.1101/2020.04.23.20076042.

Kass DA, Duggal P, Cingolani O. Obesity could shift severe COVID-19 disease to younger ages. Lancet. 2020;395(10236):15441545. doi:10.1016/S0140-6736(20)31024-2 

Petrilli CM, Jones SA, Yang J, et al. Factors associated with hospitalization and critical illness among 4,103 patients with COVID-19 disease in New York City. medRxiv. 2020. Doi:2020.2004.2008.20057794

D Peng Y, K Meng, Q Guan H, et al. [Clinical characteristics and outcomes of 112 cardiovascular disease patients infected by 2019-nCoV].Zhonghua Xin Xue Guan Bing Za Zhi, 48 (0) (2020), p. E004, 10.3760/cma.j.cn112148-20200220-00105

COLABORARAM NESTE CONTEÚDO: 
Dra. Kylza Estrella

Dra. Kylza Estrella

Geriatria

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Sofia Martins P. Antunes

Sofia Martins P. Antunes

Psicologia

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