Por que é tão difícil manter o peso após emagrecer? Nutricionista explica o funcionamento do corpo depois da dieta


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Emagreci, mas e agora? Fonte do desejo das mais diversas dietas e restrições alimentares, prometidas por nós a cada segunda-feira, perder peso – quando seguida por orientações corretas – pode ser considerada uma consequência simples e saudável de se conquistar. Contudo, manter esses “quilinhos” a menos, fugindo do temido “efeito sanfona”, é a grande dor de cabeça de quem busca estabilizar as novas medidas do corpo.

Segundo a nutricionista Cristiane Coronel, a grande dificuldade em manter o peso conquistado após o emagrecimento é conseguir inibir de vez a fome excessiva. A restrição alimentar, muitas vezes, é uma etapa que necessita de muita força de vontade e, por isso – para facilitar esses sintomas – muita pessoas optam pelo uso de medicamentos anorexígenos, que inibem a gula primeiramente, mas que podem causar efeitos colaterais contrários no futuro, ou seja, engordar.  

“Como uma das principais funções dos anorexígenos é inibir a fome, logo, a substância química envia uma mensagem para o cérebro “dizendo” que o organismo está saciado; o cérebro, então, envia uma mensagem de saciedade para o corpo. Na falta de ingestão de alimentos, o organismo passa a utilizar as energias (calorias) existentes no corpo. Desta forma, se não houver um programa alimentar adequado para o paciente, com determinação de horários e adequação de alimentos, esse paciente simplesmente não vai comer por longos períodos e o emagrecimento inevitavelmente acontecerá. Porém, neste caso, haverá uma disfunção metabólica onde o corpo fornecerá energia para ele mesmo através de tecidos importantes, como a massa muscular, por exemplo, que leva a um metabolismo em déficit posterior ao emagrecimento”, analisa a nutricionista, apontando a importância de mantermos a massa magra para fugirmos dos males do efeito sanfona:

“A massa magra deve ser preservada sempre e sua quantidade no organismo é diretamente proporcional ao metabolismo energético, ou seja, quanto mais massa muscular temos no corpo, mais eficiente é a nossa capacidade de queima calórica e eliminação de gorduras. E o problema não para por aí. Após a suspensão do uso medicamentoso, o estímulo da fome é retomado em grande concentração e a capacidade de armazenar gorduras é aumentada no organismo também. Tudo se deve à falta de reeducação alimentar e de hábitos no processo de emagrecimento”, destacou a profissional.

O que é memória metabólica?

Segundo Coronel, nosso organismo possui uma “memória metabólica” e nela, nesse processo errôneo de emagrecimento, é entendido que o corpo “passou por um período de desnutrição”, e não um emagrecimento saudável, fazendo com que, posteriormente, o próprio organismo encaminhe para um processo de recuperação de peso emergencial, o que caracteriza o “efeito sanfona”.  

“Nesse processo final é obtido um novo corpo acima do peso, com metabolismo muito baixo, com mais acúmulo de gorduras e menos concentração de tecidos importantes, como a massa magra”, enfatiza a nutricionista, reiterando a importância de mantermos nossa alimentação sob a orientação profissional:

“Quando no tratamento medicamentoso é inserido um programa alimentar eficiente, feito por um profissional, com mudanças comportamentais e alimentares individualizado a cada pessoa, verifica-se que o emagrecimento se torna saudável e efetivo. Pois a demanda energética equilibrada preserva a massa muscular, equilibra hormônios e faz com que o organismo facilite a via metabólica de uso de gorduras como fonte energética dele mesmo. O pós-emagrecimento é mantido com mais eficiência pelo equilíbrio energético e hormonal. A manutenção do peso também é mantida pelos novos hábitos de vida agregados”, finalizou.

Dra. Cristiane Coronel é nutricionista clínica e esportiva funcional na empresa Corpo Nutri, além de colunista e colaboradora na Rádio BandNews FM Brasília. CRN: 01-4551

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