Qual é a relação do coronavírus com o acidente vascular cerebral (AVC)?

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A infecção do novo coronavírus (COVID-19) vem se mostrando mais perigosa ao grupo de pessoas com doenças crônicas, como asma, bronquite e diabetes, devido, principalmente, ao fato desses quadros modificarem o funcionamento do organismo e tornarem mais frágeis as defesas do corpo. Isso também se aplica às doenças cardiovasculares, como a hipertensão. Inclusive, estudos têm mostrado que pacientes cardíacos têm mais chances de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC) quando infectados pelo novo coronavírus. 

Algumas pesquisas feitas até o momento sugerem que o vírus facilita um aumento na formação de coágulos nas artérias, inclusive naquelas que irrigam o cérebro. Um dos motivos para o entupimento das artérias seria a inflamação sistêmica desencadeada pelo organismo em resposta à ação da COVID-19. Mais especificamente, as substâncias inflamatórias liberadas exageradamente pelo corpo para responder à invasão deste agente infeccioso agridem a parede dos vasos sanguíneos, comprometendo a circulação em algumas pessoas. 

Principais características do AVC


De acordo com o Ministério da Saúde, o AVC é um episódio causado não só pelo entupimento, mas também pelo rompimento dos vasos que levam sangue até o cérebro,
provocando paralisia da área cerebral específica que deixou de ter acesso à corrente sanguínea e à oxigenação. Trata-se de uma das principais causas de morte, internação e incapacitação em todo o mundo. 

“Durante um AVC, ocorre o rompimento ou a oclusão de uma artéria no cérebro e as funções controladas por aquela região do cérebro que foi afetada e parou de receber sangue ficam comprometidas”, afirma a cardiologista Ana Catarina de Medeiros Periotto. “Se há oclusão da artéria que irriga a área cerebral responsável pela fala, a pessoa tem dificuldade em pronunciar as palavras. Se a área cerebral afetada for responsável pelos movimentos do lado esquerdo do corpo, a pessoa perde o movimento do lado esquerdo”, exemplifica a médica.   

AVC tende a ocorrer em pacientes com hipertensão


Vale ressaltar que o
AVC está fortemente relacionado à hipertensão, ou seja, pacientes com esta condição cardiovascular crônica são os que mais têm chances de sofrer este acidente cerebral. Quando o indivíduo com o sistema cardiovascular já comprometido é infectado pelo novo coronavírus, o cenário fica ainda pior, já que suas chances de ter um AVC aumentam ainda mais, bem como a probabilidade de enfrentar complicações pulmonares graves em decorrência da ação da COVID-19.

Contudo, é importante registrar que há casos de pacientes internados por sofrer AVC que são jovens, sem histórico de comorbidades associadas a este acidente vascular e que testaram positivo para o novo coronavírus. Estes casos intrigaram a comunidade médica e científica e já viraram objetos de estudos a serem realizados daqui em diante. No momento, ainda não há nenhum tipo de pesquisa que explique tal situação.  

Controle da pressão alta e cuidados com a higiene são cruciais durante a pandemia do coronavírus


Tendo tudo isso em vista, é fundamental que os pacientes com hipertensão, principalmente os que já tiveram
complicações cardíacas, como AVC e infarto, tomem todos os cuidados possíveis para controlar seus quadros e evitar a infecção pelo novo coronavírus durante a pandemia. Isso significa que o tratamento contínuo da pressão alta não pode parar! As consultas devem seguir da maneira que é possível – vale recorrer à telemedicina, por exemplo -, assim como o uso dos medicamentos prescritos pelo cardiologista e a adoção de hábitos de vida saudáveis, como não fumar, evitar consumo de sal e ter uma alimentação com pouca gordura. 

Além disso, esses pacientes também devem manter com bastante rigor todos os cuidados com a higiene pessoal recomendados pelos principais órgãos de saúde, como o Ministério da Saúde e a Organização Mundial de Saúde, para evitar o contaminação pelo novo coronavírus. Portanto, deve-se lavar as mãos com água e sabão com frequência ou higienizá-las com álcool em gel 70% (especialmente depois de ter contato com o ambiente externo), usar máscara, não levar as mãos ao rosto for à rua, higienizar todos os produtos que chegarem em casa vindos da rua, assim como objetos de uso frequente, como o celular.

 

Referências:

The New England Journal of Medicine: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc2009787?query=featured_home

COVID-19 and ischemic stroke: Should we systematically look for lupus anticoagulant and antiphospholipid antibodies? | M. Aubignat, O. Godefroy | Revue Neurologique | Maio de 2020 | https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0035378720305567?via%3Dihub

Ministério da Saúde: https://saude.gov.br/saude-de-a-z/acidente-vascular-cerebral-avc

https://coronavirus.saude.gov.br/sobre-a-doenca#como-se-proteger                                                                                                                     

COLABORARAM NESTE CONTEÚDO: 
Dra. Ana Catarina de Medeiros Periotto

Dra. Ana Catarina de Medeiros Periotto

Cardiologia

CRM: 141696 / SP

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