Fumar maconha pode ser um fator de risco para a esquizofrenia?


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Precisar os fatores que contribuem para desencadear um quadro de esquizofrenia ainda é algo complicado hoje em dia. O que se sabe é que há uma predisposição genética para a doença e que eventos traumáticos para quem já tem esse fator podem ajudar a ativar os sintomas da enfermidade. O uso de substâncias químicas como as presentes na maconha também podem influenciar neste sentido.

Drogas e traumas podem interferir no desenvolvimento e funcionamento cerebral


É o que explica o psiquiatra Miguel Angelo Boarati. Segundo ele, a maconha e outras drogas psicoativas como cocaína, crack e também anfetamínicos (esses em menor escala) podem alterar o funcionamento cerebral, servindo como um “gatilho” para o início da doença. “Mas é importante que o indivíduo já apresente a predisposição para desenvolver a esquizofrenia”, atenta o médico.  

Além das drogas que atuam no sistema nervoso central, principalmente as estimulantes, vivências traumáticas e situações extremas possuem relação direta com o surgimento da esquizofrenia. “Tudo isso interfere no desenvolvimento e funcionamento cerebral, alterando a neurocircuitaria e o equilíbrio nos neurotransmissores (que podem estar em quantidades aumentadas ou diminuídas)”.

Fumar maconha durante tratamento pode piorar a doença


De acordo com o psiquiatra, fumar maconha durante o tratamento deve ser totalmente descartado, seja para uso medicinal ou recreativo, pois, além de agravar o quadro de esquizofrenia, impede que ocorra a remissão completa dos sintomas e proporciona novos surtos psicóticos. “Isso leva a uma pior evolução ao longo da vida, com risco de interações, complicações e cronificação”.

Vale ressaltar que o tratamento padrão e ideal para pacientes com sintomas de esquizofrenia se baseia, principalmente, em acompanhamento psiquiátrico, com uso de remédio receitado e controlado por especialista. As consultas psicoterápicas em geral, com ênfase para a terapia comportamental e as abordagens psicossociais de reintegração do indivíduo, também são fundamentais e devem ser realizadas paralelamente.

Dr. Miguel Angelo Boarati é psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e atende em São Paulo. CRM-SP: 85105

Foto: Shutterstock

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