O amigo imaginário pode ser confundido com esquizofrenia na infância?


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Mais comum em adultos, a esquizofrenia é uma doença que dificilmente se manifesta em crianças, mas ainda assim existem casos. Por conta disso, alguns pais tendem a ficar alarmados quando notam que seus filhos apresentam comportamentos estranhos. O famoso amigo imaginário então se torna um exemplo desta preocupação, já que representa um passo para fora da realidade.

Crianças não costumam confundir o amigo imaginário com a realidade


De fato, a esquizofrenia se caracteriza pela dificuldade de diferenciar o que é real do que não é, o que justifica esse pé atrás dos pais com o amigo imaginário, mas na verdade não há uma relação direta de risco desta prática infantil comum com a doença. “A criança utiliza o amigo imaginário dentro de um processo de brincadeira, fazendo a distinção entre realidade e fantasia”, comenta o psiquiatra Miguel Angelo Boarati.

“Mesmo crianças pequenas sabem que o amigo imaginário foi projetado em sua cabeça para participar de algo que elas criaram voluntariamente e que se encerra no momento em que a brincadeira ou a atividade se acaba”, completa o médico. Na visão de Miguel, os pais podem até ficar preocupados, mas profissionais habilitados conseguem tranquilamente fazer a distinção entre um amigo imaginário e delírio ou alucinação.

Amigo imaginário não é preocupante


Na visão do psiquiatra, o amigo imaginário está no controle da criança, sendo ela quem o criou dentro de um momento lúdico de vivência de uma fantasia. Já o quadro de esquizofrenia sempre vem associado a um estado de deterioração mental progressiva, então por isso as duas coisas se distanciam. “A questão principal seria o isolamento social e não o amigo imaginário”.

Contudo, somente o isolamento social não faz o diagnóstico de esquizofrenia, pois ele pode estar presente em outros quadros como depressão e transtornos de ansiedade, e também em crianças normais, que apenas apresentam baixo nível de habilidades sociais. “Delírios, alucinações (ouvir vozes ou ver pessoas/seres), comportamento desorganizado, prejuízo na volição (dirigir a intenção em fazer algo) e do humor, são outros sintomas da doença”.

Dr. Miguel Angelo Boarati é psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e atende em São Paulo. CRM-SP: 85105

Foto: Shutterstock

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