Como ajudar uma pessoa com depressão? Um psicólogo dá dicas para ajudar a lidar com amigos e familiares que estão depressivos


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A depressão já foi considerada o “mal do século” e, no mundo, atinge cerca de 350 milhões de pessoas. Porém, mesmo que seja uma doença conhecida, ainda enfrenta grande estigma social. De acordo com a psicóloga Priscila Lourenço, doutora em saúde mental, quem reconhece um amigo ou familiar nessa condição deve tratá-lo com empatia e respeito, pois a doença pode se manifestar em qualquer um. “Pode ocorrer em qualquer momento da vida”, afirma a especialista. Saiba mais sobre a doença, quais os sintomas, se existe cura e veja dicas de como lidar com um conhecido nessa situação.

 

O que é, de fato, a depressão?

 

De acordo com a psicóloga, a depressão é um transtorno mental que pode surgir sem muito aviso. “A depressão é clasificada como Transtorno Depressivo Maior e é um problema que pode ocorrer em qualquer momento da vida do indivíduo”, explica. “É como a pessoa interpreta o meio, como ela identifica e distorce um evento específico, que influencia na maneira como ela se sente e suas atitudes”, completa.

 

Como identificar que o seu amigo ou parente está deprimido?

 

Como a depressão pode se manifestar de várias formas, é importante ficar atento para alguns sinais que amigos ou familiares podem estar exibindo. “As queixas primárias podem ser emocionais, mas o indivíduo pode apresentar características da doença fisicamente”, explica a psicóloga. Confira abaixo a lista de sintomas emocionais e físicos comuns da pessoa deprimida:

  • Emocionais: tristeza, choro muito ressentido, fadiga, retraimento das emoções, baixa disposição, desânimo e pouca vontade de fazer as atividades do dia a dia. “É como se o indivíduo tivesse um dimmer de uma lâmpada dentro dele e o colocasse em meia-luz, apresentando um rebaixamento das funções”, disse.
  • Físicos: diminuição do peso, tontura, palpitação cardíaca, disfunção gastrointestinal,  mudança no padrão de fome, dores no corpo. “Esses sintomas, associados aos emocionais, causam um rebaixamento do humor, criando, assim, um quadro de depressão”, afirmou.

 

Como o familiar ou amigo pode ajudar?

 

Quando se identifica a depressão, as atitudes de quem está ao redor do paciente são muito importantes para a melhora do quadro. “A melhor coisa é tentar promover empatia, se colocar no lugar do indivíduo, evitar uma postura julgadora, que desqualifique o outro”, alerta Priscila. “Ainda existe hoje uma tendência de subestimar a condição do deprimido, a descreditar, dizendo que é coisa de gente louca, maluca, com pedidos para levantar da cama e animar”.

Segundo Priscila, é preciso entender que, assim como as doenças físicas, a depressão também tem a ver com uma incapacidade de autogestão do indivídio. “Ele não está assim porque ele quer, porque não sabe como melhorar. É um processo neuroquímico, a mudança não é só comportamental, há um rebaixamento no funcionamento cerebral. E é aí que quem está ao redor precisa estar atento para ajudar e não piorar a situação”, comenta. A psicóloga alerta também que, por isso, apenas um especialista pode dar uma diretriz para o tratamento ideal.

 

Como saber se o caso de depressão precisa ou não de medicação?

 

Se você deseja ajudar o seu amigo deprimido, vale iniciar uma conversa amigável, recomendando um tratamento com um terapeuta, que é o profissional indicado para avaliar a doença e se o caso necessita de medicação. “Digamos que uma pessoa terminou um namoro e começa a apresentar um quadro de depressão maior e essa foi a primeira vez que a doença se manifestou. Às vezes ela não precisa de medicação, apenas da terapia, já que é algo isolado”, sugere.

“Outros indivíduos, no entanto, apresentam um traço de personalidade mais pessimista, resiliente, mostrando dificuldade de lidar com situações da vida, características já associadas com a depressão. Com base no mesmo exemplo, ela pode manifestar um estado muito mais agudo do que a que nunca teve depressão e talvez não consiga, só com terapia, se recuperar, sendo importante o uso da medicação, já que houve uma mudança no funcionamento neuroquímico do paciente”, conclui.

Priscila Lourenço, do Rio de Janeiro, é doutora em Saúde Mental, mestre em Psicologia Clínica e terapeuta cognitiva comportamental. CRP: 37105/05

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