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A asma não vai te parar, diz a atleta Jaqueline Mourão

Aos 40 anos, Jaqueline Mourão pode ser considerada vitoriosa não somente pelo esporte, mas pela luta contra a asma desde a infância. A atleta, que participou recentemente do revezamento da tocha olímpica na cidade de Salvador (BA) e foi a única mulher a representar o Brasil numa prova de Mountain Bike na história das Olimpíadas, considera sua trajetória cheia de desafios. Por causa da asma, Jaqueline já passou por situações de perigo durante um teste, recebeu comentários negativos do público, mas nunca desistiu de seguir a profissão em decorrência da doença. Conheça a história da multiatleta e inspire-se!

1. Que asma você tem?

Asma induzida pelo exercício, frio e asma alérgica.

2. Que tratamentos você faz para controlar a asma?

Broncodilatador de longa e curta duração de inalação (somente quando necessário), uso de corticoides por inalação e antialérgico.

3. Você faz esporte desde criança, como aprendeu a lidar com a asma e bronquite?

Aprendi com o tempo. Eu sempre tive asma e quando era pequena lembro de algumas vezes ir com urgência ao hospital para fazer inalação. Isso sempre fez parte da minha vida, mesmo antes de ser atleta.

4. Quais foram os maiores obstáculos que você teve que ultrapassar por causa das doenças respiratórias?

Eu escolhi ser atleta. No início não dava muita bola para a minha asma e não queria usar medicamento, pois, na época, os que existiam me faziam tremer e não gostava nem um pouco deste efeito colateral. Perdia ou não andava bem em várias provas de Mountain bike devido aos ataques de asma que tinha antes ou durante a prova, principalmente na época da primavera.

5. A asma foi hereditária no seu caso?

Sim, minha mãe tem asma.

6. Você já esteve em alguma situação de perigo por causa da doença?

Sim. Em 2007, quando participava de um projeto de pesquisa de atletas asmáticos como voluntária sobre asma induzida pelo frio. Eu estava fazendo um teste pela primeira vez, que consistia em respirar ar frio com alta frequência respiratória durante 7 minutos. Durante o teste tive um ataque muito forte, o ar simplesmente não entrava. A pesquisadora precisou correr comigo para a outra sala onde estava o broncodilatador de urgência. Tive medo, mas ter participado desta pesquisa (que durou 4 anos) como voluntária me ajudou a entender melhor meus sintomas e realmente acreditar que precisava dos medicamentos para ter uma vida normal, principalmente no esporte.

7. Você já passou por algum tipo de preconceito por causa da asma? Já ouviu comentários que a fez reconsiderar sua profissão?

Sim. Antes era mais frequente, mas hoje com mais informação sofro menos preconceito. Ser atleta asmático não é fácil, pois além de toda a preparação e rotina como atleta, tenho que controlar os sintomas. Já ouvi comentários que “asmático não devia competir, e sim, ir para o hospital”, mas com jogo de cintura e paciência, explico que o meu tratamento me faz bem, que dilata meus brônquios como uma pessoa sem asma.

8. Quais são os tipos de alimentos que você aconselharia para um asmático?

Quanto à asma não tenho restrições alimentares, mas mantenho refeições saudáveis com muita salada, legumes e frutas. Em 2010, depois do nascimento do meu primeiro filho, desenvolvi uma alergia forte à frutas de semente como maçã, pera, pêssego e cereja. Esta alergia está associada a um tipo de árvore aqui da América do Norte (o Bouleau) e não tem muito o que fazer, como tratamento. Logo, se eu quiser comer estas frutas tenho que cozinhá-las.

9. Qual foi a sensação de segurar a tocha olímpica, o símbolo dos Jogos Olímpicos?

Ter sido convidada pelo Comitê Olímpico Brasileiro para participar do revezamento da tocha olímpica no Brasil me fez muito feliz. Foi o reconhecimento do meu trabalho e de anos de dedicação ao esporte brasileiro. Ter a chance de naquele momento participar do movimento olímpico e de carregar a tocha fechou um ciclo muito legal na minha vida, eu tive a honra de carregar a bandeira brasileira nas cerimônias de abertura (Sochi 2014) e de encerramento (Vancouver 2010) das Olimpíadas, e agora a tocha olímpica no meu país! Foi incrível! Eu quero compartilhar esta experiência e o espírito olímpico com o maior número de pessoas possível e divulgar este evento esportivo fantástico capaz de inspirar toda uma nova geração.

10. O que você sugere para alguém que tenha asma possa se tornar um atleta?

 A prática de atividade física vai te ajudar muito na asma e se ela estiver controlada e acompanhada de perto por profissionais da saúde, você pode chegar até onde quiser. Não é a asma que vai te parar. Siga em frente!

 

Saiba como a Jaqueline Mourão controla a asma:

 Evita contato com todos os fatores alérgicos que possam desencadear uma crise de asma;

– Não possui cachorro ou gato em casa;

– Mantém a casa livre de ácaros e sempre limpa e arejada;

– Não tem flores dentro de casa;

– Usa travesseiro antialérgico;

– Evita treinos de intensidade em temperaturas muito frias;

– Evita lugares fechados com mofo;

– Evita odores fortes como pinturas a óleo;

– Produtos fortes de limpeza (como água sanitária).

– Em viagens, se hospeda em lugares sem carpete.

"Você pode chegar até onde quiser. Não é a asma que vai te parar"

Jaqueline Mourão

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Revista Cuidados Pela Vida [outubro/2017]