A Vitamina D e sua relação com o sistema imunológico

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A vitamina D apesar do nome vitamina é na verdade um hormônio.

Na dieta, que pode ser adquirida de fontes alimentares, por exemplo, em cogumelos, óleo de fígado de bacalhau e peixes gordurosos (salmão, atum, cavala), tem uma contribuição pequena para as necessidades humanas de vitamina D, sendo então a principal fonte, a formação que acontece na pele, através dos raios ultra-violeta do tipo B.

Mesmo em um país ensolarado como o Brasil, há muitas pessoas com baixa vitamina D principalmente por falta do hábito e oportunidades de tomar sol e diversos fatores ainda interferem como: pigmentação da pele, hábitos de exposição, latitude, estação do ano e barreiras como protetores solares e vidros; além do fato que a eficiência da síntese de vitamina D diminui com o avanço da idade (1).

A recomendação atual é não mais que 10 a 15 minutos de exposição aos braços, pernas, abdômen e costas, duas a três vezes por semana, seguidos por uma boa proteção solar. Pessoas com a pele mais clara devem tomar menos tempo enquanto peles de tom mais escurecido podem um tempo maior. O que deve ser evitado é a vermelhidão da pele, pois isto já é sinal de lesão pelos raios solares. O rosto sempre deve ser protegido.

E mesmo com tantas informações disponíveis ainda surgem muitas dúvidas sobre a melhor forma de repor e a importância da Vitamina D, por isso uma orientação médica é muito importante.

Trouxemos abaixo uma entrevista exclusiva com o Dr. Sergio Setsuo Maeda, Médico Assistente Doutor da Disciplina de Endocrinologia da UNIFESP, que responde as principais dúvidas dos pacientes em relação a Vitamina D.

1) Dr., como saber se tenho deficiência e preciso repor?

Recomenda-se a avaliação laboratorial em indivíduos com risco para a hipovitaminose D ou naqueles para cuja situação clínica seja relevante.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), as principais indicações baseadas em dados de história clínica, exame físico e exames complementares para a solicitação do nível sérico de 25 hidroxivitamina D são: idosos, indivíduos com restrição de exposição solar, gestantes, osteoporose, quedas frequentes e fraturas, doenças osteometabólicas e inflamatórias, doença renal crônica, pacientes pós-bariátricos e portadores de síndromes de má-absorção e usuários de medicações que interfiram no metabolismo da vitamina D (glicocorticoides, anticonvulsivantes, antirretrovirais, entre outras) (2).

 

 2) Todo mundo precisa fazer exame antes de começar a tomar Vitamina D?

Pelo custo e pensando em políticas de saúde pública e ainda mais no atual cenário de isolamento social, as doses de manutenção são recomendadas para aqueles que não conseguem fazer exposição solar suficiente e principalmente nos indivíduos de risco como idosos, pessoas com osteoporose, quedas e fraturas.

As doses de manutenção (até 2.000 UI/d nos pacientes de risco) são seguras e podem ser praticadas sem necessidade de medir a vitamina D e ajudam a prevenir a deficiência grave da vitamina D (1,2).

 

3) Quais as doses diárias recomendadas em adultos e crianças?

A reposição de vitamina D pode ser feita através de gotas, cápsulas e comprimidos. As doses de manutenção em adultos são entre 800-1.000 UI por dia, enquanto nas crianças entre 400 a 600 UI por dia. Nos indivíduos de risco (idosos, pessoas com osteoporose, quedas, fraturas) a dose pode chegar a 2.000 UI por dia. Estas doses podem ser praticadas de maneira segura, sem necessidade de medir a vitamina D e não há risco de intoxicação (1).

 

4) Nessa fase de isolamento social, como tomar Vitamina D?

Se for possível tomar sol na varanda é uma boa estratégia, respeitando o seu tipo de pele e o tempo de exposição. Lembrar que para formar a vitamina D, isto deve ser feito sem o protetor solar, respeitando o tempo e evitando a vermelhidão da pele.

 

5) Tomar sol por meio de vidros ou com protetor solar também auxilia na absorção de Vitamina D ou somente direto na pele?

Barreiras como vidro e protetor solar bloqueiam a formação da vitamina D na pele. A questão é expor a pele de maneira segura. O rosto, orelhas e pescoço sempre devem ser protegidos com bloqueador solar. Pode-se expor braços e pernas de acordo com o tom de pele. Peles mais claras cerca de 5-7 minutos e peles mais escuras 10-15 minutos três vezes por semana. Deve-se evitar a vermelhidão da pele pois isto já indica lesão da radiação solar. E depois sempre aplicar o protetor.

 

6) Fora banho de sol, o que mais pode auxiliar na absorção de Vitamina D?

A exposição ao sol é a principal fonte de vitamina D, já que a dieta tem pouca quantidade. Na impossibilidade de conseguir por vias naturais, faz-se necessário suplementar através de gotas, cápsulas ou comprimidos.

 

7) O que causa a falta de vitamina D e quais os sintomas comuns?

A pouca exposição solar que acontece no ritmo de vida moderna nas grandes cidades e por conta de questões de segurança e o trabalho em ambientes fechados justifica a grande quantidade de pessoas com baixa vitamina D. Há situações específicas como doenças com mal-absorção intestinal ou medicamentos usados para emagrecer que levam à perda de vitamina D. Nos quadros leves de hipovitaminose D, em geral não há sintomas. Nos quadros graves, que são raros, pode haver dor óssea, fraturas e fraqueza muscular. A vitamina D é avaliada no exame chamado 25 hidroxivitamina D, que é a molécula de estoque no nosso corpo.

 

8) Por que tem se falado tanto da Vitamina D?

A vitamina D tem importantes ações ósteo-musculares; promovendo a maior absorção de cálcio no intestino, modulando a secreção de PTH (paratormônio) e promovendo a melhor função muscular (1). No tratamento da osteoporose, a adequação de cálcio e vitamina D é fundamental para que as medicações anti-osteoporose possam ter sua melhor eficácia (3).

As ações não-ósseas da vitamina D são muito pesquisadas hoje, e sabe-se de uma grande e importante revisão científica que aponta para benefícios na sobrevida em pacientes com câncer, desempenho muscular, risco de infecção respiratória e exacerbação da asma quando pacientes deficientes são tratados com normalização dos níveis de vitamina D (4).

 

9) O excesso de Vitamina D também pode ser prejudicial à saúde?

A Hipervitaminose D leva a risco de aumento das concentrações de cálcio no sangue que podem se manifestar por aumento da sede e diurese, desidratação, mal estar, náusea, confusão mental e até coma. O rim é um dos órgãos que mais sofre com a hipercalcemia, podendo levar a formação de pedras (litíase) ou evoluir com perda da função (insuficiência renal). (2)

 

10) A depressão na quarentena pode ter relação com a vitamina D baixa?

Até o momento os estudos que avaliaram este parâmetro não mostraram benefício do seu uso nesta situação.

 

11) Mesmo após seguir as indicações de banho de sol e reposição por meio de medicamentos, minha Vitamina D continua baixa, é necessário buscar nova avaliação?

Realmente é necessária uma investigação. Idealmente um endocrinologista, mas um bom clínico poderia ajudar.

 

12) Quais seriam os valores de referência recomendados?

Baseado em dados da literatura médica, o novo posicionamento em relação aos valores ideais da 25 hidroxivitamina D para a população varia de acordo com a idade e as características clínicas individuais, sendo acima de 20 ng/mL é o valor desejável para população saudável (até 60 anos) e entre 30 e 60 ng/mL é o valor recomendado para os grupos de risco anteriormente citados (2).

 

Referências Bibliográficas:

  1. Maeda SS, Borba VZC, Camargo MBR, Silva DMW, Bandeira F, Lazaretti Castro M. Recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D. Arq Bras Endocrinol Metab 2014;58(5):421-43.
  2. Ferreira CES; Maeda SS; Batista MC; Lazaretti-Castro M; Vasconcellos LS; Madeira M; Soares LM; Borba VZC; Moreira CA. Consensus – reference ranges of vitamin D [25(OH)D] from the Brazilian medical societies. Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC/ML) and Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). J Bras Patol Med Lab 2017;53(6):377-381.
  3. Adami S, Giannini S, Bianchi G, Sinigaglia L, Di Munno O, Fiore CE, Minisola S, Rossini M. Vitamin D status and response to treatment in post-menopausal osteoporosis. Osteoporos Int. 2009 Feb;20(2):239-44.
  4. Autier P, Mullie P, Macacu A, Dragomir M, Boniol M, Coppens K, Pizot C, Boniol M. Effect of vitamin D supplementation on non-skeletal disorders: a systematic review of meta-analyses and randomised trials. Lancet Diabetes Endocrinol. 2017 Dec;5(12):986-1004.
COLABORARAM NESTE CONTEÚDO: 
Sergio Setsuo Maeda

Sergio Setsuo Maeda

Endocrinologia

CRM: 94164 / SP

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8 comentários para "A Vitamina D e sua relação com o sistema imunológico"

Maria do carmo

Nesse período de quarentena sem poder realizar consulta médica rotineira, gostaria de uma prescrição médica.Tenho 74 anos de idade sou hipertensa dependente de medicacao diária sem nenhuma outra queixa clínica.Ativa aposentada apenas 1 ano.

Ligia Maria Plácido S.Prazeres

Na minha opinião, a grande quantidade de pessoas com carência de vitamina D, foi depois que colocaram o sol como o causador das doenças de pele. Mas, discordo : o excesso de exposição ao sol em horários não apropriados são os fatores principais de CA de pele

Gredi iris de Vasconcelos Souza

Excelente reportagem, parabéns.!Me ajudou muito!!

CUIDADOS PELA VIDA

Olá, Gredi Iris! Ficamos muito felizes em saber que gostou a matéria. Deixo aqui uma dica de leitura que pode te interessar: https://cuidadospelavida.com.br/saude-e-tratamento/doencas-dos-ossos/driblar-falta-de-vitamina-d-quarentena. Continue conosco para mais matérias como está. Abraços!

Clea

Adorei a reportagem muito boa Eu estou com a vitamina baixa já a cinco meses estou em tratamento e até agora ainda não descobrimos o porque estou tomando injeção de to tomando citoneurin,DPreve 50:000 mil e Dvpreve 10 : mil fiz o exame e deu 20 tenho 56 anos tô muito triste ……

Jane

Gostaria de saber se o uso de vitamina D (cápsulas)por ser um hormônio ele pode desenvolver algum tipo de câncer?

CUIDADOS PELA VIDA

Olá, Jane. De acordo com os especialistas a Vitamina D quando absorvida pelo sol não causa a Hipervitaminose D, pois o nosso corpo tem um mecanismo para parar a produção assim que atingimos a quantidade necessária. Mas a Hipervitaminose D pode ocorrer quando ingerimos a Vitamina D, seja em cápsulas, gotas ou comprimidos. Os efeitos desse excesso é o aumento das concentrações de cálcio no sangue que podem se manifestar por aumento da sede e diurese, desidratação, mal estar, náusea, confusão mental e até coma. O rim é um dos órgãos que mais sofre com a hipercalcemia, podendo levar a formação de pedras (litíase) ou evoluir com perda da função (insuficiência renal), como explica o Dr. Sergio Setsuo Maeda. Não há nenhuma informação a respeito de Hipervitaminose D e câncer. Abraços!

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