Dicas para manter ativo o indivíduo com Parkinson

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O isolamento social iniciado por conta da pandemia do novo coronavírus e da COVID-19 tem sido um grande desafio para boa parte das pessoas, mas especialmente para quem sofre de algum transtorno ou condição que exige tratamento contínuo. É o caso dos pacientes com doença de Parkinson, em sua maioria pessoas com mais de 60 anos de idade. Neles, os impactos da quarentena têm afetado os cuidados de ordem física, psicológica e medicamentosa de que precisam para controlar o quadro.

 

Importância do tratamento da doença de Parkinson na quarentena

A doença de Parkinson é um distúrbio degenerativo do sistema nervoso central, que consiste na degeneração de células que produzem dopamina, neurotransmissor presente no cérebro e que é fundamental, dentre outras funções, para ajudar na realização de movimentos corporais voluntários. Por isso, um dos principais sintomas do quadro é a lentidão da movimentação e a redução da destreza para realizar movimentos simples.

A Associação Brasileira de Neurologia (ABN) aponta ainda tremores, instabilidade postural (dificuldade de equilíbrio) e enrijecimento dos músculos e articulações como manifestações relevantes do Parkinson. De acordo com a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, os tremores podem afetar um ou os dois lados do corpo, acontecem quando nenhum movimento está sendo realizado e podem piorar quando o paciente está nervoso.

Segundo a ABN, o tratamento é composto, basicamente, por medicações que elevam o nível de dopamina, por sessões de fisioterapia e de fonoaudiologia (a doença também pode afetar a fala), além de suporte psicológico e nutricional.

Por mais que seja possível manter esse tratamento em casa, por meio de teleatendimento e de eventuais consultas presenciais, muitos pacientes não encontram no lar o mesmo suporte disponível em clínicas especializadas. Além disso, grande parte dos indivíduos com Parkinson é idosa e apresenta algumas limitações decorrentes do quadro neurológico, o que pode dificultar ainda mais a manutenção do tratamento. Isso não pode, contudo, se tornar um entrave, pois a interrupção do tratamento pode resultar em piora significativa das manifestações do quadro.

Nessas horas, é extremamente importante ter o apoio de familiares e/ou de cuidadores, que devem adotar as medidas indicadas pelos órgãos de saúde para evitar a propagação do novo coronavírus. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por exemplo, recomenda evitar contato próximo com outras pessoas, evitar tocar a boca, o nariz e o olhos com as mãos sujas, não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres e copos, cobrir a boca e o nariz ao tossir e espirrar e lavar as mãos frequentemente com água e sabão.

 

Exercícios no tratamento da doença de Parkinson

As sessões de fisioterapia são partes muito importantes para o tratamento da doença de Parkinson. Nelas, os pacientes realizam diversos exercícios, incluindo as áreas mais afetadas do corpo (seja por tremor, rigidez ou dificuldade de movimentação), no intuito de mantê-las ativas, independentes o máximo possível, ou seja, objetivando reduzir as limitações funcionais da doença. Alguns idosos podem realizar, mesmo que sozinhos, determinados exercícios usando vídeos gravados e orientados por profissionais.

Há diversos tipos de exercícios que podem ser realizados em sessões de fisioterapia, como exercícios em que a ideia é simular gestos e ações cotidianas em diversas repetições, para que o corpo se acostume e automatize esses movimentos da melhor forma e com o mínimo possível de sintomas da doença. Alguns exercícios podem ser feitos com o indivíduo sentado, o que pode ser mais confortável para os pacientes de idade avançada e/ou com sintomas mais intensos.

Outros exercícios consistem em esticar, flexionar e alongar os membros e as articulações. Pernas, braços, pés, mãos e dedos podem ser trabalhados nas sessões. É interessante pedir para o fisioterapeuta de confiança vídeos de exercícios para seguir com o tratamento durante o período de quarentena, já que longos períodos de pausa podem comprometer a progressão do tratamento.

 

Cuidando da saúde mental

Para que o indivíduo consiga realizar as atividades que compõem seu tratamento, o auxílio de cuidadores e/ou de familiares que moram junto é essencial. Tal auxílio pode ser dado de várias formas: ajudando o indivíduo a se conectar para consultas online, a realizar os exercícios propostos pelo fisioterapeuta e a tomar o remédio prescrito (os tremores podem dificultar essas atividades).

Além disso, vale ressaltar que a doença de Parkinson pode provocar sofrimento psicológico─ decorrente principalmente da dificuldade de lidar com as limitações físicas─, que pode se acentuar neste período de isolamento social. Por isso, é fundamental que o paciente converse com outras pessoas: estar em contato com amigos e familiares, exercitando a comunicação (verbal, gestual, auditiva), compartilhando histórias e sentimentos prazerosos e positivos, pode ser muito benéfico no tratamento de transtornos mentais, como a depressão, comum nos casos de Parkinson. O apoio psicológico e emocional dos entes queridos ajuda o paciente a se manter engajado no tratamento e a manter a calma para enfrentar este período difícil de isolamento.

Durante a quarentena, é importante contar com o auxílio da tecnologia. Hoje em dia, é fácil fazer chamadas de vídeo e conversar em tempo real com pessoas de qualquer lugar do mundo, com poucos toques no celular, tablet ou computador, de forma gratuita. É uma medida de grande valia no contexto de uma doença complexa como o Parkinson.

 

Quando pensar em COVID-19?

A COVID-19 é uma doença causada por um tipo de coronavírus conhecido como SARS-CoV-2, que apresenta principalmente sintomas respiratórios muitas vezes semelhantes a quadros gripais.

Os sintomas mais comuns da COVID-19 são febre, cansaço e tosse seca, sendo que alguns pacientes podem ter dores no corpo, congestão nasal, corrimento nasal, dor de garganta ou diarreia. Em alguns casos também pode causar tosse com catarro. Esses sintomas geralmente são leves e começam gradualmente.

O sintoma mais importante que deve fazer os pacientes procurarem um serviço de saúde é a falta de ar ou dificuldade de respirar, que pode significar uma piora do quadro pulmonar.

 

Se você tiver dúvidas sobre os sintomas e diferenças entre a Gripe, Resfriado e Coronavírus, acesse: https://cuidadospelavida.com.br/cuidados-e-bem-estar/gripe-e-resfriado/comparacao-entre-os-sintomas-resfriado-comum-gripe-e-covid-19

Referências Bibliográficas:

Associação Brasileira de Neurologia (ABN): http://www.cadastro.abneuro.org/site/conteudo.asp?id_secao=31&id_conteudo=34&ds_secao

Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2059-doenca-de-parkinson

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): http://portal.anvisa.gov.br/coronavirus/faq

COLABORARAM NESTE CONTEÚDO: 
Dr. Mauro Luís de Mello Ferreira

Dr. Mauro Luís de Mello Ferreira

Geriatria

CRM: 34107 / SP

Dra. Stephanie Toscano Kasabkojian

Dra. Stephanie Toscano Kasabkojian

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CRM: 175618 / SP

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