Como entreter, na quarentena, idosos acometidos por quadros demenciais

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Idosos que apresentam algum tipo de demência, como a doença de Alzheimer, principalmente em estágios mais avançados, podem necessitar do suporte constante de cuidadores, em função do comprometimento de sua independência. Tal comprometimento pode dificultar até mesmo a realização de tarefas simples do dia a dia, como tomar banho e trocar de roupa.

A demência, segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, é caracterizada pela redução de habilidades mentais como memória, linguagem e raciocínio. Indivíduos com demência podem apresentar confusão mental, alteração de humor, desinteresse em hobbies, esquecimentos (inclusive de pessoas e de lugares bem conhecidos) e até mesmo quadros delirantes.

Em tempos de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus e da doença causada por ele, a COVID-19, a situação desses pacientes e de seus cuidadores pode se tornar mais complicada, mas alguns passatempos podem ajudar a tornar as próximas semanas um pouco mais leves e prazerosas.

 

Dicas de atividades para entreter indivíduos com demência nos dias atuais

Neste período de quarentena, idosos com condições neurológicas como demência podem enfrentar um número maior de limitações, já que, devido ao isolamento social, há redução da interação com outros indivíduos, e isso pode ser prejudicial em quadros demenciais, nos quais é de grande valia a socialização com entes queridos. Cabe muitas vezes ao cuidador encontrar novas formas de entreter o idoso, de modo que seu tratamento e o manejo do quadro demencial não sejam comprometidos durante a pandemia.

Baseado no seu conhecimento sobre o paciente, o cuidador deve buscar atividades que se adequem à realidade cognitiva do idoso, de forma a estimular sua cognição. Recorrer a jogos, como damas, cartas, dominó e palavras cruzadas, é uma das ações mais básicas e efetivas nesse sentido. Leitura, costura, tricô, crochê, filmes, seriados e apresentações musicais na TV são outras opções interessantes.

Para matar a saudade e entreter o idoso, vale fazer chamadas de vídeo com familiares próximos, bem como recordar boas lembranças vendo fotos antigas. A Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) recomenda que pacientes com demência leve ou moderada ajudem a preparar as refeições, cortando legumes e verduras ou temperando carnes, por exemplo. Já para quem está em fase mais avançada da patologia, sentar-se na varanda de casa e observar a movimentação de pessoas pela rua é uma boa opção.

Evitar  programas sensacionalistas é uma atitude importante para prevenir frustração e estresse, sentimentos que só irão atrapalhar os cuidados com o idoso. O ideal é escolher práticas prazerosas para o paciente, pois assim seu engajamento será maior.

 

Pressão a que estão sujeitos os cuidadores aumenta em tempos de isolamento social

Além dos cuidados habituais com o idoso acometido por quadro demencial, o cuidador precisa ter agora atenção constante com relação ao asseio do paciente e à higiene de objetos e de utensílios a seu redor. A pressão a que estão sujeitos os cuidadores, no tocante aos cuidados com os idosos, se torna muito maior, especialmente devido ao risco aumentado de complicações da COVID-19 em pessoas com idade avançada.

Por mais que muitos cuidadores sejam profissionais da área de saúde e já estejam acostumados a lidar com todos os cuidados demandados por um idoso com demência, em diversas famílias a função de cuidador é exercida por pessoas sem treinamento e sem experiência─ muitas vezes, pelos próprios familiares do idoso. Essas pessoas tendem a sofrer muito com a pressão de ter que cuidar em tempo integral de alguém que demanda atenção e esforço, o que pode comprometer a saúde mental do cuidador. Nesses casos, é importante buscar ajuda.

“Existem terapias e tratamentos que podem te ajudar a passar por esse momento com mais facilidade. Você consegue encontrar suporte psicoterápico em grupos de cuidadores, usualmente vinculados aos serviços especializados ou às associações de cuidadores familiares. Estas instituições, geralmente, oferecem orientações e recomendações dos profissionais de saúde habituados a lidar com esta situação”, informa o geriatra Ricardo Komatsu. Durante a pandemia, essa ajuda pode ser obtida virtualmente.

 

Passo a passo para cuidar do idoso em tempos de quarentena

Portanto, o primeiro passo para o sucesso do tratamento é, independentemente de quarentena, estar bem amparado psicologicamente para lidar com a pressão de seu ofício. Tendo isso garantido, pode-se avançar aos passos seguintes, que são, justamente, seguir as instruções dadas pelos principais órgãos de saúde (Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde, especialmente) para este período de isolamento social.

É importante evitar o contato físico direto com o paciente, segundo a Abraz, mas se isso não for possível, deve-se lavar bem as mãos com água e sabão ou álcool em gel 70% antes e após o contato. Medidas adequadas de higiene também devem ser adotadas antes e depois de cozinhar, de ir ao banheiro e de manusear objetos que não tenham sido antes higienizados (mas o ideal é limpar os objetos também, especialmente os de uso mais frequente).

O cuidador também deve usar máscara descartável – que precisa ser trocada periodicamente durante o dia – quando estiver com o paciente. A Abraz também recomenda que amigos e familiares evitem visitas; as crianças que precisam ficar com os avós devem evitar contato direto e reforçar a higienização das mãos e os cuidados ao tossir e espirrar.

 

A importância de conhecer o idoso com demência

 É importante ressaltar que a maioria das demências é neurodegenerativa, caracterizando-se principalmente por déficit cognitivo e de memória, podendo ocorrer perda de funcionalidade com o tempo. Nesse contexto, o tratamento adequado, conduzido por equipe multidisciplinar e com a ajuda de familiares e de cuidadores atenciosos, pode retardar a intensificação dos sintomas. Cuidados adequados e constante estímulo cognitivo do paciente podem ajudar na melhora da qualidade de vida do idoso.

Para isso, Komatsu acredita que é essencial que o cuidador conheça a fundo o quadro clínico do paciente com demência: “O cuidador necessita reconhecer quais são as reais necessidades do idoso, tanto para que ele seja adequadamente assistido, quanto para que ele continue a exercitar a autonomia e a independência nas atividades que ainda for capaz de realizar”, afirma o médico.

 

Tratamento precoce é fundamental para retardar piora da demência

De acordo com informações veiculadas pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), a demência ainda é pouco compreendida pela população. O diagnóstico costuma acontecer tardiamente, quando a doença já está em fase moderada ou avançada e os familiares demoram a procurar orientação, talvez por acharem normal a perda de memória dos idosos.

Quando o paciente é levado ao médico assim que os sintomas começam, as chances de manejo efetivo do quadro aumentam, já que adaptações de rotina (de forma a estimular os potenciais da pessoa com demência) e outras terapêuticas podem ser precocemente implementadas. O tratamento deverá ser feito de acordo com o tipo de demência e com o grau de acometimento do idoso. Para a doença de Alzheimer, por exemplo, segundo o Ministério da Saúde, parte do tratamento envolve o uso de medicações que ajudam a retardar a progressão da condição em questão.

Quando pensar em COVID-19?
A COVID-19 é uma doença causada por um tipo de coronavírus conhecido como
SARS-CoV-2, que apresenta principalmente sintomas respiratórios muitas vezes
semelhantes a quadros gripais.
Os sintomas mais comuns da COVID-19 são febre, cansaço e tosse seca, sendo que
alguns pacientes podem ter dores no corpo, congestão nasal, corrimento nasal, dor de
garganta ou diarreia. Em alguns casos também pode causar tosse com catarro. Esses
sintomas geralmente são leves e começam gradualmente.
O sintoma mais importante que deve fazer os pacientes procurarem um serviço de
saúde é a falta de ar ou dificuldade de respirar, que pode significar uma piora do quadro
pulmonar.

Referências Bibliográficas:

Dados da Biblioteca Virtual em Saúde: https://aps.bvs.br/aps/o-que-e-demencia/ 

Dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG):

https://sbgg.org.br/demencia-uma-prioridade-de-saude-publica/

Dados da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz): http://abraz.org.br/web/2020/03/13/covid-19-o-novo-coronavirus-e-a-doenca-de-alzheimer/

http://abraz.org.br/web/2020/03/27/dicas-para-o-idoso-com-alzheimer-em-isolamento-social/

Dados do Ministério da Saúde: https://saude.gov.br/saude-de-a-z/alzheimer

COLABORARAM NESTE CONTEÚDO: 
Dr. Mauro Luís de Mello Ferreira

Dr. Mauro Luís de Mello Ferreira

Geriatria

CRM: 34107 / SP

Dr. Ricardo Komatsu

Dr. Ricardo Komatsu

Geriatria

CRM: 56604 / SP

Dra. Stephanie Toscano Kasabkojian

Dra. Stephanie Toscano Kasabkojian

Psiquiatria

CRM: 175618 / SP

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