Coronavírus: Como as crianças são afetadas pela COVID-19?

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A pandemia do novo coronavírus levantou uma série de questionamentos no Brasil e no mundo. Afinal, trata-se de um vírus até então desconhecido e cujos sintomas, complicações e grupos de risco estão sendo pouco a pouco descobertos e analisados por cientistas e médicos. As crianças estão entre os grupos que mais suscitam preocupações e dúvidas. Entenda mais sobre o assunto e saiba como a COVID-19 pode afetá-las. 

Crianças podem ter sintomas graves de COVID-19?


Nos pequenos, o
sistema imunológico ainda está em fase de amadurecimento. Isso significa dizer que a imunidade das crianças não funciona a pleno vapor como nos adultos saudáveis: seus organismos ainda estão aprendendo a identificar agentes invasores, como bactérias, fungos e o novo coronavírus, e a produzir as células responsáveis por neutralizá-los e destruí-los. Elas adoecem com mais facilidade e podem demorar mais tempo para se recuperar. 

Por isso, no começo da pandemia, acreditava-se que o coronavírus seria muito perigoso para as crianças. Mas, as estatísticas têm mostrado resultados diferentes: segundo o Ministério da Saúde do Brasil e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a maioria dos casos infantis apresenta apenas sintomas leves. No entanto, isso não é motivo para relaxar nas medidas de prevenção. Há diversos casos, tanto no Brasil quanto no mundo, de quadros graves de COVID-19 em crianças e até casos letais. 

Como são os sintomas do coronavírus em crianças?


Assim como nos adultos e nos idosos, a infecção do novo coronavírus pode se mostrar assintomática, mas também pode causar uma série de sintomas que variam de leves a graves. O Ministério da Saúde cita falta de ar, febre, tosse, dor de garganta, dor no corpo e nariz entupido, assemelhando-se a um quadro de gripe. 

É importante saber que esses sintomas podem ser resultado de outras infecções. Além da gripe, do resfriado e da COVID-19, outras doenças respiratórias, como asma e bronquite, também podem provocá-los. A recomendação da Organização Panamericana da Saúde (PAHO) é somente procurar atendimento médico se houver tosse, febre e dificuldade para respirar. Caso contrário, deixe seu filho em casa para evitar a transmissão do coronavírus para outras pessoas, caso ele esteja infectado, e para prevenir sua contaminação, caso os sintomas sejam causados por outra condição.  

Vale lembrar que mães lactantes que foram infectadas pelo novo coronavírus, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, não precisam interromper a amamentação, já que não foram encontradas evidências científicas que justifiquem suspender o aleitamento materno. No entanto, é fundamental adotar medidas de prevenção, como usar máscara e lavar as mãos com água e sabão antes de entrar em contato com o filho. 

Como explicar a situação atual às crianças?


A pandemia da COVID-19 é um momento ímpar na história da humanidade e alterou a rotina de bilhões de pessoas. Não é de se espantar, portanto, que as crianças tenham curiosidade sobre o que está acontecendo e sintam raiva ou medo diante da situação. Pais e responsáveis devem se preparar para ter uma conversa honesta, mas cuidadosa, com os pequenos.

É importante assegurar as crianças de que elas estão seguras e, assim, tentar mantê-las calmas. É necessário também explicar o que é o novo coronavírus, citar seus sintomas e pedir para que elas conversem com um adulto ou um irmão mais velho caso se sintam mal de alguma forma.

Outro tópico essencial desta conversa são as medidas de prevenção: as crianças devem entender como o reforço dos hábitos de higiene podem evitar a contaminação. Os adultos devem ensiná-las a colocar corretamente o braço sobre o nariz e a boca ao tossir e ao espirrar, devem mostrar como lavar as mãos usando água e sabão, como esfregá-las após a aplicação de álcool em gel 70% e explicar a importância de não colocar a mão suja na boca ou no nariz. Depois, será preciso ficar de olho: enquanto algumas crianças aprenderão rápido, outras terão mais dificuldades ou até mesmo esquecerão das formas de prevenção. 

Uma dos maiores inconvenientes da pandemia da COVID-19 é a necessidade de manter o isolamento social, o que pode ser bastante complicado para crianças apegadas aos avós e outros familiares e que gostam de correr e brincar com os amigos e colegas. Os pequenos podem se mostrar impacientes e irritados, mas os pais e responsáveis devem ter cautela e ser firmes na decisão de mantê-los dentro de casa e explicar que estas atitudes ajudam a deixar toda a família, amigos e professores a salvo, especialmente os mais velhos, que têm a saúde mais frágil. 

Como entreter as crianças durante a pandemia?


O melhor a fazer neste momento é utilizar a tecnologia a seu favor. Com o celular ou o computador, é possível fazer ligações de áudio ou de vídeo com os avós e familiares que moram longe e deixar as crianças matarem a saudade de seus entes queridos. Há também inúmeros aplicativos com jogos que podem juntar a família toda para brincar. 

É importante também ocupar o tempo dos pequenos com atividades que não envolvam eletrônicos. Este é um bom momento para se conectar com os filhos por meio de brincadeiras como quebra-cabeça, adivinhação, mímica e jogos de tabuleiro. Quem tiver espaço em casa pode aproveitar para estimular a prática de exercícios físicos, seja com futebol, vôlei, queimada ou outro esporte que elas prefiram. 

Os compromissos com a escola não devem ficar de lado. Agora que você está em casa com tempo livre, que tal separar alguns minutos do seu dia para se ocupar dos deveres e leituras e ajudá-las em uma matéria que tenham mais dificuldade? Preferencialmente, faça isso todos os dias para que essas atividades virem parte da rotina durante a pandemia e permaneçam depois do fim da quarentena. 

E as consultas médicas? Quando devo levar meu filho ao pediatra?


Os pequenos devem, periodicamente, frequentar o consultório médico para que o pediatra avalie o ritmo de crescimento e checar se tudo está bem. No entanto, nesta crise causada pelo novo coronavírus, muitos pais e responsáveis podem se perguntar se é melhor esperar um momento mais oportuno para levar as crianças ao especialista.

É importante conversar com o profissional para saber quais são as suas recomendações e o que está sendo feito para evitar o contágio dentro do consultório. Uma alternativa para quem estiver inseguro é checar se o pediatra de confiança aderiu à chamada telemedicina, que prevê consultas à distância. Esta prática foi autorizada recentemente por causa da pandemia e ajuda pacientes a manter contato com seus médicos, receber diagnósticos, tirar dúvidas e até obter receitas de medicações sem desobedecer as medidas de isolamento social. 

Quando pensar em COVID-19?


A COVID-19 é uma doença causada por um tipo de coronavírus conhecido como SARS-CoV-2, que apresenta principalmente sintomas respiratórios muitas vezes semelhantes a quadros gripais.

Os sintomas mais comuns do COVID-19 são febre, cansaço e tosse seca, sendo que alguns pacientes podem apresentar ainda dores no corpo, congestão nasal, corrimento nasal, dor de garganta ou diarreia. Em alguns casos também pode causar tosse com catarro. Esses sintomas geralmente são leves e começam gradualmente.

O sintoma que merece maior atenção e que deve ser levado em consideração para que os pacientes procurem imediatamente um serviço de saúde é a falta de ar ou dificuldade de respirar, que pode significar uma piora do quadro pulmonar.

 

Se você tiver dúvidas sobre os sintomas e diferenças entre a Gripe, Resfriado e Coronavírus, acesse: https://cuidadospelavida.com.br/cuidados-e-bem-estar/gripe-e-resfriado/comparacao-entre-os-sintomas-resfriado-comum-gripe-e-covid-19

 

Referências:

  1. Wei-jie Guan et al. Comorbidity and its impact on 1,590 patients with COVID-19 in China: A Nationwide Analysis. MedRxiv 2020.
  2. Ministério da Saúde do Brasil. https://www.saude.gov.br/o-ministro/746-saude-de-a-a-z/46490-novo-coronavirus-o-que-e-causas-sintomas-tratamento-e-prevencao-3 acessado em 13/04/2020.
  3. Organização Panamericana da Saúde (PAHO). https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875 acessado em 06/05/2020. 
  4. Ministério da Saúde do Brasil. https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/06/Cartilha–Crian–as-Coronavirus.pdf acessado em 06/05/2020.
  5. Ministério da Saúde do Brasil. https://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2020/April/18/Diretrizes-Covid19.pdf acessado em 06/05/2020.
  6. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/covid-19-em-video-sbp-atualiza-pediatras-com-as-recomendacoes-mais-atualizadas-sobre-o-novo-coronavirus/ acessado em 06/05/2020.
  7. Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/faq.html#COVID-19-and-Children acessado em 06/05/2020.
COLABORARAM NESTE CONTEÚDO: 
Dr. Mauro Luís de Mello Ferreira

Dr. Mauro Luís de Mello Ferreira

Geriatria

CRM: 34107 / SP

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