Obesidade: Saiba quais são as principais causas e riscos associados à essa doença que vai muito além da estética


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A obesidade se tornou, nos últimos anos, um dos principais problemas de saúde no Brasil, chegando a atingir 18,9% da população do país, um crescimento de 60% em apenas 10 anos, segundo o Ministério da Saúde. A obesidade não deve ser resumida à questão estética, já que é uma doença crônica com causas multifatoriais e que gera diversos riscos à saúde, incluindo o aumento da pressão arterial, riscos de desenvolvimento de diabetes e até mesmo problemas nas articulações.

A endocrinologista Daniele Zaninelli explica que, de maneira simplificada, o corpo ganha peso sempre que o consumo de calorias, feito por meio da alimentação, supera o gasto energético. Caso esta situação permaneça por algum tempo, o ganho de peso se acumula e o indivíduo pode se tornar obeso.

Sedentarismo, alimentação e genética podem causar obesidade

No entanto, cada organismo se comporta de uma maneira específica. “O que faz com que as pessoas ganhem ou percam peso de forma diferente entre si são os diferentes padrões de consumo, armazenamento e gasto energético, que resultam de uma interação entre predisposição genética, hábitos de vida e fatores do ambiente”, explica a médica.

Isso significa que os alimentos presentes na alimentação refletem no peso do corpo, no desenvolvimento e na piora do sobrepeso e da obesidade. Mudanças nos hábitos alimentares, como maior consumo de comidas mais calóricas, como refeições prontas, fast food, doces, refrigerantes e outros produtos industrializados, explica parcialmente o crescente número de pessoas obesas no Brasil.

O fator genético também é uma das causas da obesidade, apesar de ainda não ter sido completamente explicado. A hereditariedade, associada a um ambiente familiar em que predomina uma alimentação inadequada e a falta de atividades físicas, pode contribuir para que os filhos tenham sobrepeso e se tornem obesos.

Obesidade aumenta chances de ter diabetes e doenças cardiovasculares

A obesidade tem tratamento e deve ser levada a sério, já que representa uma ameaça à saúde do organismo. “O acúmulo de tecido adiposo pode causar complicações secundárias ao efeito de ‘massa’, por compressão e sobrecarga mecânica, com manifestações como refluxo gastroesofágico, apneia do sono e problemas articulares“, afirma Daniele.

Os riscos não terminam aí e envolvem ainda problemas respiratórios, metabólicos, como o diabetes e o acúmulo de gordura no fígado, e cardiovasculares, como colesterol alto e aterosclerose, além de alguns tipos de câncer. O paciente não tratado pode também ficar incapacitado, fator que sozinho já aumenta consideravelmente as chances de morte prematura.

Tratamento da obesidade é difícil, mas não deve ser deixado de lado

De acordo com a endocrinologista, a melhor abordagem contra a obesidade é sua prevenção: “As pessoas devem estar conscientes de que se trata de uma doença de difícil tratamento, então, qualquer ganho de peso fora do habitual deve servir como um sinal de alerta para que medidas sejam tomadas com o objetivo de evitar o acúmulo progressivo de peso corporal”.

Os pacientes obesos, junto de seus médicos, devem observar quais fatores estão contribuindo para o ganho de peso. “Devemos dar atenção à qualidade do sono, aos níveis de estresse e ao tempo que passamos em frente a telas de computadores, celulares e tablets, procurando aumentar os níveis de atividade física”, alerta a especialista. Depois do diagnóstico, é preciso ser persistente e procurar a melhor forma de se adaptar aos hábitos de vida saudáveis, fundamentais para o sucesso do tratamento.
Dra. Daniele Zaninelli é endocrinologista formada pela Universidade Federal do Paraná e atua em Curitiba. CRM-PR: 16876
Foto: Shutterstock

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