Olhos, cérebro e rins: como a hipertensão afeta os órgãos do corpo?


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A hipertensão é uma das doenças mais democráticas já descobertas pela ciência: atinge homens e mulheres, de todas as faixas etárias e de todos os pesos. O que vem chamando a atenção da comunidade médica no país, é o aumento considerável de pacientes diagnosticados com a doença, o que a tornou um grave problema de saúde no Brasil. É preciso ficar atento: se não for acompanhada de perto, pode trazer complicações a órgãos fundamentais para o bom funcionamento do organismo.

O coração é um dos órgãos mais atingidos pela hipertensão. É ele quem comanda o fluxo sanguíneo pelo corpo e o bombeia para outros órgãos. Em pessoas com hipertensão, o coração trabalha em dobro, porque precisa se esforçar para que o sangue circule normalmente pelo organismo. Com o tempo, o músculo cardíaco aumenta de tamanho, mas acaba perdendo sua força. Para manter a circulação do sangue pelo corpo, o coração precisará bater mais rápido. Esta condição é chamada de arritmia cardíaca, quando o ritmo das batidas está acima ou abaixo do normal.

Do AVC à demência

O cérebro é um dos principais órgãos do corpo humano e também necessita de um fluxo sanguíneo contínuo para exercer o comando sobre o resto do organismo. Quando há um problema na circulação do sangue, as consequências podem ser severas, como afirma o cardiologista Benjamin Farbiarz Segal. “Com uma menor fluidez na circulação cerebral e, principalmente, com as oscilações bruscas da pressão arterial, podemos ter os temidos acidentes vasculares cerebrais”, alerta o médico.

A falta de sangue no cérebro pode levar a uma condição séria e bastante complexa. Com a falta de oxigenação, este órgão perde progressivamente a capacidade de exercer suas funções, o que pode levar a um estado de demência. O paciente passa a apresentar problemas de cognição, de memória e de concentração.

As alterações nos rins

Os desdobramentos de uma hipertensão não controlada também são sentidos nos rins, já que a doença é uma das principais causas da insuficiência renal. A pressão alta faz com que os vasos sanguíneos que chegam aos rins se tornem mais rígidos e grossos. Como consequência, a quantidade de sangue que chega a estes órgãos é menor e eles se tornam incapazes de eliminar impurezas e substâncias que que, em excesso, fazem mal ao corpo, como o sal.

Hipertensão e cegueira

Não se assuste ao ouvir de um médico que a alta pressão arterial causou a cegueira de um paciente. “Para a Medicina, os olhos trazem grandes informações sobre o precoce estado de alteração causada pela hipertensão arterial”, afirma Segal.

As alterações no olho decorrentes da hipertensão ocorrem na retina e, por isso, são chamadas de retinopatia hipertensiva. São originadas por um estreitamento dos vasos sanguíneos ou pelo enrijecimento das paredes arteriais, levando a um quadro de hemorragia nos olhos e descolamento da retina, que podem causar cegueira.

 

Benjamin Farbiarz Segal é cardiologista, formado pelo Hospital Israelita Albert Einstein e atua no Rio de Janeiro. CRM-RJ: 52.80252-2

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