É possível demonstrar sinais de esquizofrenia já na infância?


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A esquizofrenia é um distúrbio grave e incapacitante por toda a vida que raramente ocorre antes da adolescência e acima dos 50 anos, por mais que desde cedo estes já tenham propensão a desenvolvê-lo. Contudo, em casos raros o transtorno pode já se manifestar em crianças. De acordo com o psiquiatra Miguel Boarati, apenas 1% dos casos da doença ocorre abaixo dos 13 anos de idade – saiba quais são os quatro tipos de esquizofrenia.

Sintomas iniciais da esquizofrenia também podem ser de outras doenças


Ainda conforme o médico, essa porcentagem é apenas um pouco maior nos adolescentes entre 13 e 17 anos. Como os pequenos não tem maturidade e autonomia suficientes para identificar sintomas e procurar ajuda, é essencial que os pais estejam atentos ao aparecimento de comportamentos suspeitos. Afinal, só assim poderá haver um diagnóstico precoce e, consequentemente, um tratamento com chances de sucesso.

Alguns sintomas mais brandos e iniciais podem já dar indícios do desenvolvimento da doença. Falta de inclinação para interação social é um exemplo. Todavia, não dá para associá-lo imediatamente à esquizofrenia, pois este sinal também se relaciona a outras doenças. “Sintomas prodrômicos, ou seja, que ocorrem antes da doença se desenvolver, não podem ser considerados como exclusivos da esquizofrenia, pois também estão ligados à deficiência intelectual e autismo”.

Autismo já foi confundido com a esquizofrenia


Inclusive, o autismo por vezes é confundido com esquizofrenia, conforme explica Miguel. “O termo autismo foi primeiramente utilizado para designar a esquizofrenia em estágio inicial na infância, mas hoje é utilizado apenas para os quadros de esquizofrenia mesmo. Demorou alguns anos de estudos para ocorrer a diferenciação clínica entre quadros de autismo de baixo funcionamento e esquizofrenia”.

Diante de mudanças de comportamento como vivências alucinatórias (ouvir vozes e ver vultos), medos infundados, pensamentos delirantes, isolamento social e embotamento afetivo, é fundamental que a criança seja levada para avaliação médica. “Além do investimento financeiro e emocional, é importante que pais, professores, familiares e a sociedade como um todo busquem informações que reduzam o estigma e o preconceito”.

Dr. Miguel Angelo Boarati é psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP e atende em São Paulo. CRM-SP: 85105

Foto: Shutterstock

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