Curso para Cuidadores - O que é Alzheimer?

FIQUE POR DENTRO DE DICAS
DE SAÚDE
E BEM-ESTAR

Mente sã: Como podemos cuidar para tê-la cada vez melhor?

Correria, relacionamentos conturbados, discussões constantes, excesso de informação, 24 horas “ligado na tomada”, esses fatores podem causar problemas caso não sejam tratados no tempo certo. Parecem familiar? Esse é o dia a dia da grande parte da população. Mas afinal, o que são transtornos mentais? Especialistas definem como alterações do funcionamento da mente que prejudicam o desempenho em qualquer área da vida familiar, social, pessoal e profissional. Os transtornos mais comuns, como ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, dependência química, demência e esquizofrenia, podem afetar qualquer pessoa, levando ao sofrimento e ao sentimento de incapacidade.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os transtornos mentais atingem cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, o que representa 13% do total de todas as doenças. No topo da lista, figuram patologias como depressão e ansiedade. Pasmém! Entre 20% e 30% de todos os jovens passam por algum desses problemas até os 20 anos de idade. Preocupante, não é?

Nosso Especial Saúde Mental traz tudo sobre como lidar com a saúde da mente. O neurologista Rodrigo Rizek Schultz explica como identificar o transtorno, como tratar e muito mais. E você também vai conhecer a história da youtuber Vanessa Freitas, que criou um canal para ajudar as pessoas que, como ela, tem Síndrome do Pânico, e da sanfoneira Ilza Nogueira, que conseguiu deixar a depressão para trás com tratamento e dedicação a um projeto musical. Confira:

 

VANESSA FREITAS: YOUTUBE AJUDA CONTRA A SÍNDROME DO PÂNICO

VANESSA FREITAS

Vanessa Freitas é sorridente, alegre e comunicativa. Hoje a youtuber aconselha pessoas que passam pelos mesmos sintomas que ela teve por causa da Síndrome do Pânico. Vanessa, que sofre desta síndrome há 11 anos, se dedica diariamente ao tratamento à base de medicamentos, terapia, entre outros meios para combater a doença que a levou à beira da morte. “Uma das características da síndrome é você sentir que está perto da morte. Era como se estivesse em sono profundo e perdendo os sentidos. Tudo é muito intenso em um curto período de tempo”, lembra.

Palpitações, dores na nuca, sensação de desmaio e dificuldades para sair de casa foram os primeiros sinais de que Vanessa não estava bem. A doença, de fato, só foi descoberta há 6 anos. “Descobri através da consulta com uma psicanalista, só ela conseguiu diagnosticar o pânico. Já tinha passado por um neurologista e um cardiologista. Inclusive o cardiologista afirmou que eu estava grávida por causa dos meus sintomas.”

Para ela, as sensações diárias pareciam não ter solução. “Você não é mais a mesma pessoa, se sente impotente, diminuída, perante uma sociedade que não sabe o que se passa. Aliás, nós sofremos muito preconceito, as pessoas acham que tudo é frescura. O primeiro grande passo foi perceber que eu estava doente e entender o que estava acontecendo comigo”, reflete.

Uma série de atitudes fez com que Vanessa revertesse o quadro crítico. Além do uso de remédios e do tratamento psicológico, ela mudou os hábitos alimentares, criou uma rotina adequada e buscou novos “amigos”. “A nova etapa é cuidar da alimentação e pensar na estética para eu melhorar o ciclo. Também adotei alguns cachorros (na foto com ela) para me animar. Eles fizeram toda a diferença. Os animais nos dão amor sem perguntar o porquê.”

A internet como recuperação

Mais forte e determinada, há cerca de seis meses Vanessa criou o canal Microcosmo Vanesses no Youtube, espaço onde ela conta suas histórias de vida com muito humor. “Eu queria levantar essa bandeira. Muitas famílias são destruídas porque não sabem o que estão passando. Alguns pacientes chegam ao suicídio por falta de conhecimento e atendimento médico.” Percebendo o retorno positivo do canal, Vanessa pretende deixá-lo cada vez mais profissional. “As pessoas que se comunicam comigo querem paz. Eu já pensei em parar porque amigos dizem que me exponho muito, mas as respostas são satisfatórias e isso vale a pena. Agora quero melhorar a qualidade dos vídeos”, idealiza.

 

Conheça o canal da Vanessa Freitas:  Microcosmo Vanesses

 

ILZA NOGUEIRA: A MÚSICA TIROU A SANFONEIRA DA DEPRESSÃO

ILZA NOGUEIRA

Ficar deprimida é algo que não faz mais parte da vida de Ilza Nogueira. A sanfoneira implementou a música como alicerce para amenizar a doença que se instalou durante anos em sua vida. Tudo começou através de um casamento conturbado. Aos 18 anos, Ilza casou-se e mudou para o município de Bandeirantes, em Mato Grosso do Sul. “O mundo era totalmente diferente.  Como eu era da roça, me assustei”, lembra.

Na cidade grande, Ilza se dividia na jornada dupla na área da saúde e dos quatro filhos. Se o lado profissional estava equilibrado, o casamento passava por conflitos. “Meu marido me traía muito. Pela falta de compreensão tive que cuidar da casa sozinha. Após a separação me agarrei aos meus filhos (na foto com a filha Silmara Nogueira), achava que eles eram minha propriedade. Quando me vi sozinha, descobri que tinha a síndrome do ninho vazio. Já no posto de saúde, não aguentei ver a dor do povo e não conseguia acolher todo mundo”, conta.

Durante três anos, a depressão tomou conta da vida de Ilza de forma crítica. “Não conseguia dormir, não fazia mais nada, cheguei a passar uma semana sem tomar banho. Durante esse tempo eu perdi a memória e vagava pelas ruas”, relata.

Preocupada com a saúde da mãe, os filhos se reuniram e decidiram interná-la num sanatório. “Lá fiquei 20 dias sem saber de nada e saí de lá tomando 12 remédios psicotrópicos. Quando cheguei aos 103kg, os médicos identificaram que eu estava com dor no peito e uma inflamação no joelho. A partir daí, notei que minha vida estava no fim e precisava mudar.”

Projeto Sarau Raízes

Embora a sanfona fizesse parte da infância, Ilza deixou de praticá-la para dar aulas de português para os vizinhos. Considerado um grande “amigo”, o instrumento a ajudou a sair da depressão. “Meu médico falou para voltar a tocar sanfona. Foi aí que surgiu a ideia de colocar em prática o Projeto Sarau Raízes, em 2012.”

Localizado em um galpão em Campo Grande, o Sarau Raízes reúne moradores da região com jantares, encontros musicais e oficinas. “O local é para colocar para fora suas emoções. Todos que participam canta, dançam e se libertam. Hoje eu me sinto uma pessoa muito útil, e fico orgulhosa de saber que esse espaço ajuda várias pessoas que passaram pela mesma situação”, define.

Depressão nunca mais! Ilza sabe que essa palavra está no passado. “Descobri que a depressão é uma série de fatores de insatisfação. E aprendi que não sei tocar sanfona profissionalmente, mas o importante é me divertir. Hoje mantenho a minha cabeça ocupada e faço o que me dá prazer”, conclui.

 

PRINCIPAIS TRANSTORNOS E SUAS DIFERENÇAS

identificando os transtornos 2

 

COMO ENTENDER E TRATAR OS TRANSTORNOS MENTAIS?

Como você viu no quadro acima, os transtornos podem ser identificados e têm cura. Para entender melhor os transtornos, o neurologista Rodrigo Rizek Schultz explica as melhores maneiras de lidar com eles.

Momento de procurar um profissional

A hora exata é quando houver o surgimento de algum transtorno, sinais ou sintomas; ou acentuação de traços anteriormente apresentados. O profissional mais indicado seria um psiquiatra, um neurologista ou um psicólogo. Este irá avaliar e definir a sua origem, ou seja, se é normal em função de certas circunstâncias, ou é referente a alguma doença.

Indicação de medicamentos

Após o diagnóstico da doença, o profissional deverá indicar o medicamento mais adequado para a situação. Os remédios devem ser de acordo com a gravidade da doença e dos sintomas. É importante reforçar que além do tratamento com medicamentos há o com psicoterapia. Quando observamos um forte impacto da doença no paciente ou no cuidador, muito provavelmente deveremos usar remédios. As medicações que podem causar tolerância (vício) são os benzodiazepínicos, ou seja, remédios com tarja preta como se diz. No entanto, eles são importantes e devem ser administrados sempre que necessário. Vale ressaltar que os remédios serão para a vida inteira dependendo de cada indivíduo. E, justamente por esta razão, devem ser implementados tratamentos psicológicos sempre que possível.

O poder dos testes na internet

Os testes têm a capacidade de chamar a atenção para um transtorno que pode estar presente. Eles podem realizar certa triagem, chamando mais a atenção do paciente e familiares para necessidade de ajuda médica. Embora os testes sejam base para avaliação, um profissional deve ser procurado sempre.

Como lidar com o preconceito

A melhor forma de trabalhar com o preconceito é através de uma educação contínua. Os parentes e os próprios pacientes devem se informar e aprender para compreender o que ocorre. As pessoas próximas também devem conhecer a situação e procurar fazer com que o tratamento seja implementado da melhor maneira possível.

Comportamento dos familiares

O familiar deve procurar compreender o que passa consigo e com o paciente, somente assim ele poderá colaborar da melhor maneira possível. O conhecimento e a dedicação farão com que o familiar se sinta mais à vontade para tomar decisões e enfrentar as dificuldades, inclusive pessoais.

Transtorno mental “não é coisa de maluco”

Os transtornos mentais devem ser entendidos com a mesma seriedade de qualquer doença física. Se entendemos bem as doenças físicas ou orgânicas e o seu impacto no corpo, por que com doenças mentais haveria de ser diferente? A diferença está apenas no órgão do corpo comprometido.

SAÚDE MENTAL

 

 

Rodrigo Rizek Schultz é coordenador do Ambulatório de Demência Grave do Setor de Neurologia da UNIFESP e neurologista do Instituto da Memória e Diretor Científico da ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer). CRM-SP 80.201

 

Mantenho a minha cabeça ocupada e faço o que me dá prazer.

Ilza Nogueira

Matérias

Revista Cuidados Pela Vida