Cuidados de mãe! Pediatra responde dúvidas que rondam os consultórios médicos


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Ser mãe é um gesto de amor e de carinho. Mas para chegar que a esse momento tão especial, surgem diversas dúvidas. Questões como “qual o momento para começar a higiene bucal?” ou “o que fazer quando o bebê não consegue dormir?” são mais comuns do que se imagina.

O Especial Mães e Filhos traz informações interessantes para as mamães de primeira viagem e as que estão a caminho. Para isso, conversamos com a pediatra Andréa Colpas, que vai responder 8 dúvidas abordadas em consultórios médicos, e também vai indicar alternativas para o seu filho ter um crescimento saudável e de qualidade. Acompanhe!

 

Qual a melhor maneira para segurar o bebê?

A insegurança na hora de segurar o filho é comum para muitas famílias. Uma técnica é deixá-lo de pé, com uma das mãos do adulto segurando o corpo e a cabeça do bebê apoiada pela outra mão (1). Outra forma é apoiar a cabeça com uma das mãos e o corpo com a outra com o bebê de frente para o adulto (2). E a terceira mais utilizada seria com o bebê deitado com a cabeça apoiada entre o braço e o antebraço do adulto e o corpo posicionado junto ao do adulto(3). O importante é que o bebê e os pais estejam confortáveis.

maecombebe

 

Qual é a hora certa para mudar a alimentação do seu filho?

A nutrição do bebê inicia desde o momento da concepção, daí a necessidade da gestante em ter uma alimentação balanceada e equilibrada. A alimentação do bebê nos primeiros mil dias de vida consiste, na fase mais importante para que se estabeleça um aporte adequado, de nutrientes capazes de permitir um crescimento e desenvolvimento corretos, bem como capacidade intelectual e imunológica competente.

O leite materno é indispensável porque é um alimento completo com todos os nutrientes para a saúde do bebê, do nascimento até cerca dos dois anos de idade. Até os seis meses de idade, o leite materno deve ser exclusivo, não sendo necessários os consumos de água ou sucos. O bebê deve mamar sem horário rígido. Aos poucos, a mãe aprende a identificar quando o choro do bebe é por fome, sono ou fralda molhada.

A partir dos seis meses, serão introduzidos os grupos alimentares para a papa salgada com proteínas, legumes e verduras, bem como para as papas de frutas. Esses alimentos não devem ser liquidificados, e sim cozidos e amassados para que o bebê trabalhe bem o sabor dos alimentos, os movimentos de mastigação e deglutição e o movimento da língua. Afinal, eles são fundamentais para a fala e a respiração. Também nesse período deve ser oferecida água nos intervalos das refeições.

A medida que seu filho cresce, acontece o amadurecimento dos músculos da deglutição e o crescimento dos dentes, permitindo assim que as refeições sejam preparadas com pedacinhos cada vez maiores e respeitando para que não ocorram engasgos.

papinha

Papinhas amassadas não liquidificadas. Depois, em pequenos pedaços.

 

Qual é o momento para começar a higiene bucal?

 O cuidado de higiene deve ser iniciado com a limpeza das gengivas do bebê, após as refeições com a gaze ou pano macio limpo em água filtrada. Quando os dentinhos já nascidos, existe a necessidade de uma escova dental adequada para cada faixa etária com uso de creme dental fluoretado. É fundamental a quantidade correta do creme dental a fim de evitar deglutição de flúor em excesso. Os pais devem conversar com o pediatra para saber se a água de sua região tem flúor.

escova dental

A= Recomendação para pré-escolares; B= recomendação para maiores de 4 anos; C= uso incorreto do creme dental.

 

O que é possível fazer para aliviar as cólicas do bebê?

Com muita frequência, bebês sofrem de cólicas abdominais, contudo, essa é uma condição transitória que aparece em torno da segunda semana de vida e tende a desaparecer até os quatro meses de idade em bebês saudáveis. Costuma ocorrer no final do dia e pode durar até 3 horas com choro forte e irritabilidade. Então o que fazer:

– Certifique-se de que não é fome (bebê com fome para de chorar quando alimentado), fralda molhada ou sono;

– Procure um ambiente tranquilo, com pouca luz, sem barulho e longe das visitas. Isso proporciona calma a mãe e ao filho. Coloque o bebê de barriga com a sua barriga. Esse calor entre as barrigas aquece e alivia a cólica;

– Banho morno acalma o bebê, além de melhorar a circulação abdominal;

– Faça compressas mornas com bolsinhas de água ou panos aquecidos que melhorem a circulação local reduzindo as dores;

– Faça massagens com as perninhas do bebê como se ele estivesse pedalando (bicicleta) ou massagens na barriga no sentido horário a fim de deslocar os gases e eliminá-los;

OBS: Não há relação direta estabelecida entre a dieta materna e as cólicas do bebê, portanto, exclua alimentos sem pesquisa adequada e, de acordo com as pesquisas, acompanhamento médico não são necessários. Caso o quadro persista ou haja sangue nas fezes, o pediatra deve ser comunicado imediatamente.

mãe massageando filho

Massagem no sentido horário para eliminar os gases.

 

O que fazer quando meu bebê não consegue dormir?

Muitos bebês ficam agitados e inquietos para dormir, o que deixa muitos pais angustiados e cansados. É importante saber que o sono vai se modificando, em cada criança, de acordo com a maturidade do sistema nervoso. Do nascimento até os seis meses, o sono vem a cada quatro e seis horas, independente de ser dia ou noite. Quando o bebê vai crescendo, ele aprende a ficar mais acordado pela manhã (o estímulo de luz é fundamental) e a noite a dormir mais. Existem famílias com horários mais conturbados, isto é, com ambiente mais calmo de dia e muito agitado à noite, deixando o bebê mais inquieto nesse período. Então, cuidado!

Existe a necessidade de ensiná-lo a ficar mais esperto durante o dia com estímulos de janelas abertas e os barulhos normais da casa. Ao anoitecer, usar pouca luz para reproduzir um ambiente mais tranquilo para que o sono aconteça naturalmente.

A transição para um padrão adulto de sono ocorre a partir dos 5 anos de idade e alguns cuidados devem ser tomados desde o nascimento para que hábitos indesejáveis não se perpetuem. Algumas dicas:

– Acostume seu filho a adormecer no quarto e na cama. Dormir na cama dos pais é inseguro para o bebê (pode causar asfixia) e pode deixar os pais sem privacidade;

– O quarto não precisa ter luzes acesas. O bebê não tem medo de escuro;

–  Evite colocar travesseiros, almofadas, paninhos ou bichos de pelúcia no berço, pois pode causar sufocamento e alergias.

 

A pele do bebê precisa de proteção?

A pele do bebê é uma das coisas mais lindas e macias do mundo. Mas é importante ter atenção pois a pele é frágil e delicada. Para a limpeza:

Deve-se utilizar sabonetes líquidos ou em barra neutros, específicos para bebês, pois tem um pH adequado para os pequeninos. É muito comum surgirem algumas erupções na pele do bebê nos primeiros dias de vida, mas desaparecem rapidamente e, apesar de ter um nome estranho (eritema tóxico), não há nada de preocupante com essas lesões;

– Bebês só podem usar repelentes e filtro de proteção solar após os seis meses e devem ser específicos para os mesmos.

 

O que fazer quando meu filho tem febre?

Como nem tudo são flores, a temida febre pode ocorrer com nossos filhos por um simples resfriado, por reação da vacina, por um quadro infeccioso ou simplesmente por excesso de agasalhos. Precisamos salientar que a febre é um mecanismo de defesa do sistema imunológico frente a um agente estranho no organismo, e não um vilão. Então, antes de administrar antitérmicos, deve-se verificar alguns pontos:

– Regule a temperatura com termômetro por 3 minutos (no mínimo);

– Certifique-se de que o bebê não está com agasalhos em demasia;

– Verifique se a ingestão de líquidos está adequada (em meses muito quentes, o bebê precisa de mais líquidos);

– Dê um banho fresquinho e depois meça a temperatura novamente.

OBS: Se realmente o bebê estiver com febre, o medicamento antitérmico prescrito pelo pediatra deverá ser administrado e o mesmo ser contactado.

 

Meu filho pega uma virose atrás da outra. Tem como preveni-las?

Como foi dito acima, uma das causas de febre são as infecções, na maioria das vezes virais, isso porque mais de 80% dos agentes infecciosos são vírus. Os bebês, principalmente os que frequentam creche, irão entrar em contato com outras crianças e, dessa forma, por contato com saliva, as viroses se espalham. Ao entrar em contato com esses vírus, o sistema imunológico de cada bebê, criam anticorpos (defesa) e ficam protegidos contra outros casos. Mas há sempre vírus novos e crianças novas, por isso nos dois primeiros anos são comuns as infecções. Com crescimento e desenvolvimento do bebê, o sistema imunológico torna-se mais maduro e competente, impedindo infecções com frequência.

 

Fica a dica!

O papel do pediatra, em sintonia com a família, irá proporcionar uma infância saudável, minimizando angústias dos pais e promovendo o crescimento de uma criança feliz.

Andrea Colpas é especialista em Pediatria. Professora auxiliar da Escola  de Medicina Souza Marques, Médica pediatra da SMSRJ e Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria.  CRM 52 603390

Texto de Rafael Munhos

 

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