Calorias são todas iguais?


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Depois de “Super size me”, “Muito além do peso” e “Uma verdade inconveniente”, mais um documentário lança luzes sobre a epidemia de obesidade e a indústria de alimentos nos Estados Unidos. “Fed up” (Ou Saciado, em português), dirigido por Stephanie Soechtig e produzido pela jornalista Katie Couric, o filme, ainda sem previsão de lançamento no Brasil, gira em torno da qualidade das calorias que consumimos e levanta uma questão: por que, mesmo reduzindo a ingestão de calorias, muitas pessoas não conseguem perder peso?

Segundo o pediatra e nutrólogo Naylor Alves Oliveira, professor adjunto de Pediatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-chefe do serviço de Nutrologia do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG/UFRJ), mais importante do que a quantidade de calorias ingeridas é a fonte delas: “O que tem mais calorias: uma maçã ou um bombom? Os dois têm mais ou menos a mesma quantidade, mas o bombom engorda mais porque tem um índice glicêmico muito mais alto, ou seja, é rapidamente absorvido e estocado pelo organismo.”

O médico explica o mecanismo: diferentemente da maçã, cujo tipo de açúcar é lentamente absorvido, o bombom e os alimentos ricos em açúcares simples provocam um aumento repentino de glicose e, consequentemente de insulina, que transforma esse açúcar em gordura visceral. Além de um índice glicêmico mais baixo, a maçã e as frutas em geral são ricas em fibras e esse grupo alimentar é um aliado no controle do peso por diferentes aspectos: impede a absorção de determinadas substâncias, como colesterol, torna mais lenta a absorção de açúcares e ainda são parcialmente eliminadas pelo trato intestinal.

Oliveira esclarece que, para crianças, não há uma recomendação de quantidade de calorias a serem consumidas por dia, esse cálculo varia muito em função de peso, altura, gasto energético e fatores ambientais, mas ele enfatiza que uma alimentação equilibrada, com alimentos frescos e preparados de forma caseira supre as necessidades diárias de calorias e nutrientes: “Crianças não precisam comer nuggets, hambúrgueres e biscoitos recheados! Precisam de frutas, legumes e verduras. Esses hábitos alimentares são formados desde a gestação. O feto vai ser acostumando com os sabores daquilo que sua mãe come. Esse processo continua durante o aleitamento materno e se consolida até os 2 anos de vida. Esses são períodos determinantes para a prevenção da obesidade na vida adulta”.

As informações são do portal Portal Saúde 360 e a imagem do website Shutterstock.

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